Familiares de 12 manifestantes de Hong Kong exigem julgamento aberto ao público - Plataforma Media

Familiares de 12 manifestantes de Hong Kong exigem julgamento aberto ao público

Os familiares de 12 manifestantes antigovernamentais de Hong Kong acusados de “travessia ilegal” das águas da China continental, entre eles um jovem luso-chinês, exigiram hoje que o julgamento seja aberto ao público.

Num comunicado divulgado pela campanha #save12hkyouths (“salvem os 12 jovens de Hong Kong”), os familiares pediram ainda às autoridades de Shenzhen, cidade chinesa adjacente a Hong Kong, que lhes permitam nomear advogados para defender os ativistas.

O Governo chinês alega que os jovens já escolheram advogados de defesa, mas os familiares temem que sejam nomeados pelas autoridades chinesas e que, como tal, “sigam as ordens do Governo e ajam contra os interesses dos 12”.

O comunicado solicita também ao Ministério Público chinês que informe os familiares da data do julgamento com antecedência e que lhes conceda uma exceção à quarentena de 14 dias imposta a quem chega à China continental devido à pandemia de covid-19, de forma a poderem assistir ao julgamento.

O documento exige ainda que a acusação seja enviada aos familiares dos manifestantes.

A Procuradoria-Geral de Yantian, em Shenzhen, acusou hoje formalmente oito dos 12 detidos de “travessia ilegal” das águas da China continental. Dois dos ativistas são ainda suspeitos de organizar a passagem ilegal da fronteira.

Segundo uma nota publicada na rede social chinesa Weibo, os procuradores irão, entretanto, decidir, numa sessão à porta fechada, se os restantes dois jovens irão ou não ser acusados, por serem menores de idade.

A campanha #save12hkyouths revelou hoje à Lusa que só a família de um dos detidos tinha sido informada da acusação formal, tendo hoje recebido uma chamada de um advogado que terá sido nomeado pelo Governo chinês para defender o ativista.

A campanha confirmou que a família do estudante universitário Tsz Lun Kok, detentor de passaportes português e chinês, não recebeu ainda qualquer informação oficial.

Os detidos, a maioria ligados aos protestos anti-governamentais do ano passado, em Hong Kong, tinham iniciado a viagem com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, quando a lancha em que seguiam foi intercetada, em 23 de agosto, pela guarda costeira chinesa.

Segundo familiares dos detidos, desde a detenção nenhum dos ativistas pôde contactar a família nem ter acesso a advogados mandatados pelos seus familiares.

A #save12hkyouths anunciou em 19 de novembro que familiares de sete dos detidos receberam cartas alegadamente escritas pelos ativistas. Na altura a campanha confirmou à Lusa que a família de Tsz Lun Kok não tinha recebido qualquer mensagem do jovem.

O jovem, que tem nacionalidade portuguesa e chinesa, embora a China não reconheça a dupla nacionalidade, tinha já sido detido em 18 de novembro de 2019 em Hong Kong, e mais tarde libertado, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica daquele território, sendo acusado de motim, por ter participado alegadamente numa manobra para desviar as atenções das forças de segurança com o objetivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no interior.

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