Cabo Delgado: Nyusi afirma que terrorismo tem "mão estrangeira" e explica como tudo começou - Plataforma Media

Cabo Delgado: Nyusi afirma que terrorismo tem “mão estrangeira” e explica como tudo começou

Num discurso de três horas frente ao Parlamento, no dia 16 de dezembro, o presidente moçambicano Filipe Nyusi dedicou grande parte do seu tempo a falar sobre um dos temas que atualmente domina o país: o terrorismo em Cabo Delgado.

O presidente de Moçambique explicou que a “atividade de grupos que se intitulavam de islâmicos começou em 2012”, quando um cidadão de nacionalidade tanzaniana, identificado como Abdul Shakulo, incitou manifestações radicais e várias práticas que contrariavam a essência do Islamismo e a Constituição da República. Algumas das práticas foram a proibição das crianças frequentarem as escolas e, enquanto recrutava pessoas para aderirem ao seu culto, “promovia a entrada nas Mesquitas com sapatos, calções e objectos contundentes”. Mas as práticas do cidadão tanzaniano acabaram por ser disseminadas.

Nyusi afirmou que em 2012 já se tinha conhecimento das atividades e que tentaram conter as mesmas até 2017, quando surgiram os primeiros ataques armados em Cabo Delgado, com o seu início em outubro do mesmo ano, onde “assassinar, decapitar e esquartejar as populações” tornou-se o seu modo de operar. Até agora, dos terroristas capturados ou mortos em combate, distinguem-se cidadãos de nacionalidade tanzaniana, congolesa, somali, ugandesa e queniana, segundo Nyusi, concluindo o leque de terroristas com vários moçambicanos recrutados, que formam a maioria do grupo. “Têm estado a recrutar jovens das provincias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia”, entre outros, reiterou o presidente moçambicano.

“As suas lideranças são, maioritariamente, estrangeiras, como é o caso dos tanzanianos, Sheik Ibrahimo, que foi abatido, o Sheik Hassan Zuzure, Abdul Azize. Para além destes líderes, conta-se ainda com o Sheik Aji Ulathule e Faragi Nancalaua, que foram mortos também em combate”, distinguiu o Presidente da República.

No entanto, Nyusi não deixou de reconhecer que chegou a hora de reorganizar a Defesa Nacional, que tem revelado dificuldades em extinguir a ameaça presente. “Para o combate ao terrorismo, o governo assume o compromisso de intensificar a formação, reequipamento e modernização das forças de defesa e segurança em todas as especialidades”, afirmou o chefe de Estado, acrescentando ainda que já está a reforçar a cooperação internacional.

O chefe de Estado falou ainda das fontes de financiamento do grupo terrorista. “Atualmente, as fontes de financiamento conhecidas são a pilhagem de produtos das populações, transferências monetárias de colaboradores via eletrónica e rendimentos provenientes do crime organizado”, explicou.

A violência armada em Cabo Delgado está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 571 mil pessoas deslocadas (número atualizado hoje pelo chefe de Estado), sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

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