Cabo Delgado: ONG defende mecanismo internacional independente contra a violência - Plataforma Media

Cabo Delgado: ONG defende mecanismo internacional independente contra a violência

A organização Amnistia Internacional (AI) defendeu ontem a criação de um mecanismo internacional independente para lidar com os crimes e as violações de direitos humanos, como as que estão a ocorrer em Moçambique, criticando a inação da comunidade internacional.

“O mundo não pode continuar a virar as costas ao sofrimento dos civis em Cabo Delgado”, lê-se numa nota da organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos enviada à Lusa.

“Depois do genocídio do Ruanda, a ONU chamou ao seu próprio falhanço um ‘pecado por omissão’ e o que estamos a ver em Moçambique é um sinal de que a história se está a repetir e os civis estão outra vez a pagar o preço pela inação da comunidade internacional”, acrescentou a organização.

Assim, a ONG “pede às Nações Unidas que ajam urgentemente, criando um mecanismo internacional independente para lidar com os crimes e as violações de direitos humanos que estão a ser cometidos”.

No comunicado, a diretora-adjunta da AI para a África Austral, Muleya Mwananyanda, lembrou que o secretário-geral das Nações Unidas já pediu às autoridades moçambicanas para investigaram a escalada da violência na província de Cabo Delgado e criticou a falta de atenção da comunidade internacional.

“Há demasiado tempo que a comunidade internacional tem ignorado os horrores que acontecem em Cabo Delgado, e os nossos alertas sobre responsabilização pelos crimes chocantes ao abrigo da lei internacional e violações de direitos humanos, incluindo tortura, desmembramentos e execuções extrajudiciais têm sido ignorados pelas autoridades moçambicanas”, disse a responsável.

“Enquanto isso, as pessoas na região continuam a viver com medo de ataques por parte de grupos da oposição e das forças armadas de Moçambique, que cometeram também violações de direitos humanos em nome do combate aos militantes”, concluiu a ativista.

Vários órgãos de comunicação moçambicanos, portugueses e internacionais relataram um massacre perpetrado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, no final da semana passada, em Cabo Delgado, com início na aldeia de Nanjaba.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas e que se intensificaram este ano.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de 1.000 a 2.000 vítimas.

Segundo dados oficiais, há, pelo menos, 435 mil deslocados internos.

A capital de Cabo Delgado, Pemba, está desde meados de outubro a receber uma nova vaga de deslocados, que viajam em barcos precários.

As vítimas da violência na região rica em gás natural têm-se espalhado por outras regiões, nomeadamente as vizinhas províncias de Niassa e Nampula, mas as autoridades locais já têm oferecido ajuda a famílias refugiadas que chegam mais a sul, nomeadamente à Zambézia e Sofala.

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