“Sempre acreditei que partilha é amor. Essa é a melhor parte!”

“Sempre acreditei que partilha é amor. Essa é a melhor parte!”, John Rocha

John Rocha é uma pessoa cativante. Filho de pai português e mãe chinesa, tem feições asiáticas e nome português. É macaense mas nasceu e cresceu em Hong Kong. O PLATAFORMA foi ao seu encontro e esteve à conversa com um dos maiores influenciadores e promotores da culinária macaense nas redes sociais da atualidade.

John Rocha apresenta-se como influenciador, autor de diversos livros e professor de cozinha. Confessa que gosta de cozinhar desde criança. No entanto, o privilégio de viver profissionalmente desta paixão pela culinária é recente. Começou com um acaso.  

Arrancou quando passava férias no Japão, em 2017, e se deparou com uma citação num livro. “Deverá fazer algo, enquanto pode, antes que se arrependa”. A frase tocou-lhe e pensou: “ok. Se calhar devia fazer algo. Restabelecer o contato com os meus familiares”. 

Os macaenses têm tradicionalmente famílias grandes, mas encontram-se, em regra, espalhados pelo mundo. Decidiu então publicar uma fotografia no Instagram para conseguir “aproximar-se” dos familiares distantes, e com os quais não mantinha contacto. ”Talvez a comida pudesse ajudar a fazer esta reconecção”. 

Foi um momento de viragem na vida do profissional de marketing. O post colocado na rede social não foi muito bem-sucedido no propósito inicial, mas permitiu-lhe acrescentar seguidores às páginas nas redes sociais. De repente, “começaram a perguntar-me se eu podia ensinar a cozinhar, por exemplo, galinha à macaense?”. Foi assim que entrei neste mundo da culinária, esclarece. 

O tempo foi passando e acabou por se tornar professor de culinária, divulgando e partilhando maioritariamente receitas macaenses e portuguesas. O sucesso nas redes sociais não demorou a chegar. 

Um ano depois, uma editora desafia-o para escrever um livro sobre a própria vida, baseado na herança gastronómica macaense e “no que comia quando era pequeno”. Uma espécie de história da vida contada em formato de receitas. Um livro cem por cento sobre pratos macaenses e portugueses.  Foi um pulo até à fama… 

Seguiu-se a publicação de outros dois livros, sendo o último acerca desta recente viagem (do que lhe tem acontecido nos últimos 300 dias) e daquilo que viu, experienciou e encontrou. Junta essas histórias às receitas. 

Esta “aventura” culmina com a criação de uma plataforma digital que inclui um canal no Youtube e um portal chamado johnrochacooking.com. Hoje em dia, é um vlogger gastronómico com mais de 20,000 seguidores no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter, provenientes maioritariamente da Ásia.

Curiosamente não vê a  atual atividade como a verdadeira profissão. Mas “tudo o que faço é baseado na paixão”, salienta. Outrora proprietário de uma consultora nas áreas de marketing estratégico e brand management, acabou por vende-la e viajar pelo mundo, durante anos, para conhecer outras culturas e gozar a vida. 

John Rocha acredita que por detrás das comidas e cozinhas existem muitas histórias. E é com um sorriso estampado na cara que acaba por revelar o que realmente deseja: “transmitir a minha herança culinária, e o que costumava comer quando era criança, a todos à minha volta.” 

Quer que as pessoas saibam que existe uma cozinha macaense. Que “existe algo especial chamada galinha macaense ou uma espécie de sobremesa conhecida por Bebinca… Que o Minchi que costumava comer quando era criança é de facto único entre a comunidade macaense”. 

E porque existem cada vez menos pessoas a saber confecionar este tipo de cozinha, afirma que é essa, na realidade, a “missão ou visão: partilhar a comida macaense”. “Amo o que estou a fazer agora!”, assinala.

Considera o multiculturalismo gastronómico uma tendência muito positiva, que está na moda. “Para mim, é díficil diferenciar a comida portuguesa da comida italiana por exemplo porque, após muita pesquisa sobre a história da cozinha portuguesa, percebi que a forma de as preparar e o tipo de ingredientes utilizados são muito semelhantes em ambas as cozinhas”. 

Também quando se debruçou sobre a história da gastronomia macaense, além da inspiração na cozinha portuguesa, se apercebeu que esta sofreu influências da culinária malaia, indiana, ou mesmo japonesa. Ou seja, John partilha da ideia que a tendência é, hoje em dia, para não haver limites ou fronteiras entre as diferentes cozinhas. E aposta nisso.    

“Sempre acreditei que partilha é amor. Por isso, sempre que cozinho, aquilo que mais aprecio é o momento em que sirvo o prato e as pessoas começam a saborear e a falar sobre o que estão a comer. Essa é a melhor parte! Essa é a sensação que quero ter sempre que cozinho.”

John pretende deixar um legado à família. Por essa razão, desenvolve todos estes projetos. “Talvez um dia, quando for muito velhinho e não poder cozinhar mais, tire um livro da estante e mostre aos meus filhos aquilo que fiz quando era novo.

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