Governo moçambicano diz que Renamo tem “dever patriótico” de trazer dissidentes à paz - Plataforma Media

Governo moçambicano diz que Renamo tem “dever patriótico” de trazer dissidentes à paz

O ministro do Interior moçambicano defendeu hoje que a Renamo tem “o dever patriótico” de ajudar a levar a dissidência armada do principal partido da oposição ao processo de paz, devido “à ligação umbilical” entre as duas entidades.

Amade Miquidade falava na Assembleia da República, em resposta a perguntas da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, sobre a estratégia do Governo para acabar com a violência armada protagonizada pela Junta Militar, uma dissidência armada da organização partidária.

“Considerando que as armas, as munições, e o uniforme usados pela Junta Militar são da Renamo e que há uma umbilical ligação à Renamo, tem esta o dever patriótico, e no interesse da paz, de fornecer [ao Governo] toda a informação relativa à junta”, afirmou Miquidade.

A Renamo, prosseguiu, conhece as bases, a localização e os esconderijos usados pela Junta Militar, o que dá ao partido a capacidade de ajudar a dissidência a aderir ao processo de paz.

Amade Miquidade assinalou que o principal partido da oposição deve assumir a responsabilidade de ajudar a pôr termo às ações armadas dos dissidentes da organização.

“Esta questão é responsabilidade de um partido político que se encontra na oposição, considerando que as pessoas que realizam ações contra o Estado moçambicano têm ligações com esse referido partido político”, declarou Miquidade, referindo-se à Renamo.

O ministro do Interior avançou que a trégua unilateral que o Presidente da República, Filipe Nyusi, declarou no domingo contra as ações da Junta Militar da Renamo mostra o compromisso incansável com a paz.

“A trégua decretada responde às necessidades das populações do centro, do norte e do sul, à necessidade do povo moçambicano de busca incansável da paz”, frisou.

A Junta Militar da Renamo é um movimento de guerrilheiros dissidentes do principal partido da oposição de Moçambique que contesta o líder eleito no congresso de 2019, Ossufo Momade.

O grupo surgiu em junho de 2019 e ameaçou pegar nas armas caso não fosse ouvido, sendo desde então o principal suspeito da morte de cerca de 30 pessoas em ataques contra autocarros, aldeias e elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no centro do país.

Ao mesmo tempo, o grupo tem recusado vários apelos ao diálogo, inclusive patrocinados pelas Nações Unidas e União Europeia, entre outros parceiros.

Mariano Nhongo disse na segunda-feira à Lusa que estava disposto a encetar diálogo.

A violência no centro acontece na mesma altura em que o país enfrenta uma crise humanitária no norte, na província de Cabo Delgado, onde uma insurgência armada que dura há três anos já provocou entre 1.000 e 2.000 mortos e 300.000 deslocados.

Hoje no parlamento, o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, afirmou que “as ações terroristas [em Cabo Delgado] estão a criar centenas de milhares de deslocados internos, cujo número se situa, atualmente, em mais de 435 mil pessoas”.

Carlos Agostinho do Rosário avançou que mais de 10 mil pessoas que fugiram do conflito armado em Cabo Delgado chegaram à capital da província, Pemba, nos últimos dias.

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