Início » África deve juntar-se para tratar dívida à China de forma conjunta

África deve juntar-se para tratar dívida à China de forma conjunta

O professor universitário Kishore Mahbubani defendeu hoje que os Estados africanos devem unir-se para tratar a questão da dívida com a China e devem ficar equidistantes do conflito estratégico entre os EUA e o gigante asiático.

“Recomendo que nas reuniões regulares entre os Estados africanos e a China, os líderes africanos devem levantar a questão da dívida em conjunto, mas ao mesmo tempo devem se muito honestos e dizer quais são os termos que o Ocidente está a dar aos países nos empréstimos”, disse Kishore Mahbubani na Palestra Babacar Ndiaye, organizada hoje pelo Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank).

As negociações, disse, “são essencialmente um braço-de-ferro entre as duas partes”, lembrando que quando o Quénia quis pagar antecipadamente um empréstimos com juros elevados a um grande banco norte-americano, “a consequência foi que o Banco Mundial, instado pelo Tesouro norte-americano, acabou por cortar a ajuda ao Quénia”.

De acordo com o Instituto Financeiro Internacional (IFI), que representa os credores da dívida privada, a China é o maior credor oficial não só dos países africanos, mas também das nações mais vulneráveis.

“Entre os credores oficiais bilaterais, a China é de longe o maior credor, tendo aumentado o volume em dez vezes desde 2009 para mais de 102 mil milhões de dólares [86,6 mil milhões de euros] no ano passado; o Japão é o segundo maior credor destes países, com uma exposição de mais de 23 mil milhões de dólares [19,5 mil milhões de euros]”, lê-se numa análise ao prolongamento da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), noticiada pela Lusa na segunda-feira.

Na conferência, Kishore Mahbubani, que dá aulas de Economia em Singapura, defendeu que o século XXII vai ser o século afroasiático, essencialmente devido à enorme vantagem demográfica que as duas regiões têm.

“Há uma grande vantagem demográfica, os africanos podem aprender com os sucessos e os falhanços doas asiáticos, as pessoas jovens são um fantástico recurso, a questão é dar-lhes educação, trazer investimento externo, abrir o comércio, e com isso consegue-se ter sucesso no desenvolvimento, não é propriamente ciência espacial. O Vietname esteve em guerra durante 50 anos e nos últimos 30 teve um desenvolvimento enorme, é só copiar o exemplo”, argumentou, citando também o forte crescimento económico do Bangladesh.

Sobre a questão do conflito geopolítico entre a China e os Estados Unidos, com influência em África, Kishore Mahbubani defendeu que os países africanos devem manter-se equidistantes e lembrou um ditado segundo o qual quando dois elefantes lutam, quem sofre é a relva.

“O melhor que os governos africanos têm a fazer é ficar unidos e mandar uma mensagem aos dois lados, defendendo boas relações com ambos e salientando que não querem envolver-se nesta competição, e que o único lado que devem tomar é o lado pró-africano”, conclui o académico.

O Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) começou a série de palestras internacionais em 2017 como forma de homenagear o economista Babacar Ndiaye, que teve um papel fundamental na criação do banco.

Babacar Ndiaye foi o quinto presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, em 1985, e o primeiro funcionário da entidade a chegar ao lugar de líder desta instituição financeira multilateral.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website