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Macau, Um destino turístico seguro com sinais positivos

António Bilrero

A diretora dos Serviços de Turismo de Macau (DST), Maria Helena Senna Fernandes, reafirma em entrevista ao PLATAFORMA que é difícil prever a evolução do setor devido à situação pandémica. Mas já vê alguns sinais positivos. A mensagem transmitida nas diferentes ações promocionais em curso no interior da China está focada em mostrar Macau como um destino seguro. Mas a prioridade é manter a cidade segura e livre de covid-19. Indica que a DST, à luz do “novo normal” e da evolução do setor nos últimos anos, está a rever o Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau a pensar no futuro.

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Turismo, o Dia Nacional da China e se inicia a chamada “semana dourada”, Helena Senna Fernandes con- sidera que “a normalização do fluxo de visitantes entre o interior da China e Macau é muito positiva para a retoma da atividade da indústria turística local e setores relacionados”

Reafirma que “o ritmo a que os visitantes irão crescer é, todavia, ainda difícil de prever, dada a situação atípica que se vive”.
“Para já estamos a ver sinais positivos. Desde o início da normalização do movimento de visitantes entre o Interior da China e Macau, desde 12 de Agosto, a média diária de visitantes tem aumentado sucessivamente, ainda que a um ritmo lento. De uma média diária a rondar os 5.600 visitantes entre 1 e 11 de Agosto, esse número triplicou para os atuais cerca de 17.300, de acordo com dados preliminares da semana passada, dos quais mais de 15.800 vieram do Interior da China”, aponta.

Para a responsável, “a expetativa é de os visitantes do Interior da China continuem a crescer, mas gradualmente, uma vez que tem de se ter em conta fatores que influenciam os fluxos de visitantes, como os protocolos de saúde ou o receio de viajar. Durante a “semana dourada” pelo Dia Nacional da RPC há oportunidade para sentir melhor o pulso ao recomeço do mercado de turismo, mas continua a ser difícil adiantar previsões, é preciso mais tempo para observar a evolução do mercado”.

Senna Fernandes assinala, todavia, que a DST “está a canalizar em força os esforços promocionais para o Interior da China, onde quer passar a mensagem de que Macau é um destino seguro e está pronto para receber os visitantes”. Lembra que “o Governo da RAEM inaugurou no passado sábado um evento de grande envergadura – a Semana de Macau em Pequim (que se prolongou até terça-feira) – que juntou diferentes parceiros, para divulgar as ofertas de turismo, cultura, gastronomia, desporto, entretenimento e comércio da cidade”. O palco principal da promoção, pros- segue, “decorreu na emblemática Rua de Wangfujing. Ali estiveram patentes várias zonas temáticas para mostrar o leque das ofertas da cidade, desde o património, aos eventos, produtos e marcas de Macau, aos resorts integrados da cidade, entre outros, a par com espetáculos e muito mais”.

“Até ao final de Outubro vai decorrer naquela rua a iniciativa ́Encontro ao anoitecer no Largo do Senado – em Pequim ́, com tendinhas de comida para dar a degustar as iguarias típicas de Macau, atuações de música e dança ligadas a Macau. A DST e o IPIM promoveram ainda uma “Sessão de Promoção sobre Turismo, Convenções e Exposições Pequim-Macau”, virada para os profissionais destes setores”, esclarece.

A responsável adianta que “estão alinha- das mais promoções para outras cidades do Interior da China”.“Está em marcha uma campanha nacional conduzida em colaboração com parceiros locais e do Interior da China, desde pequenas e médias empresas à Air Macau, a par com grandes plataformas digitais do Interior da China, nomeadamente a Alipay, UnionPay, Alibaba e a Tencent para divulgação do destino e ofertas especiais, desde bilhetes de avião, a alojamento, a compras em lojas locais entre outros, através da plataforma online “Vamos! Macau!”, lançada pela DST em Junho, entre outros canais, para atrair mais visitantes e estimular o con- sumo”, esclarece.

A diretora de serviços recorda ainda que a “pandemia obrigou a DST a cancelar, adiar ou reformatar várias iniciativas e eventos alinhados para este ano, tais como a Parada do Ano Novo, o “Fórum Internacional de Gastronomia, Macau” e o Concurso Internacional de Fogo-de- artifício de Macau (CIFAM).Todavia, assinala, o Festival de Luz de Macau, que abriu no passado fim-de- semana, foi antecipado para Setembro, em vez de Dezembro, como habitualmente, servindo como um evento de boas vindas ao regresso dos visitantes do Interior da China.

“Também vamos ter fogo-de-artifício, ainda que só por uma noite [hoje, 1 de outubro], para assinalar o dia da instauração da República Popular da China. A exibição vai acontecer na zona em frente à Torre de Macau, realizado em parceria com Hengqin”, assinala.

Maria Helena Senna Fernandes indica outros eventos anuais organizados pela DST, como o Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios-Macau, que vai decorrer num formato híbrido, com um programa a desenrolar-se em Macau e online. Entre os eventos que se mantêm, aponta “a Lusofonia, o Grande Prémio, o Festival de Gastronomia, o Festival de Compras, a Maratona Internacional, os quais decorrerão dentro das restrições necessárias que a pandemia impõe, quer ao nível dos participantes quer ao nível do programa, mas que prometem animar a cidade e são positivos para o recomeço gradual da atividade turística”.

Diz igualmente que, “ao nível da divulgação da gastronomia única de Macau, a DST tem-se mantido ativa, ainda que dentro dos atuais limites devido à pandemia”, designadamente o lançamento de uma série de vídeos educativos lançados mensalmente, entre maio e setembro, virados para os profissionais da restauração, além de ter assinalado o Dia da Gastronomia Sustentável com a difusão de um vídeo sobre cozinha macaense.

“Um dos principais enfoques neste momento, enquanto Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia, é concluir o trabalho de recolha de receitas de comida macaense para a criação de uma base de dados para preservar a história, receitas e técnicas culinárias, para que o legado de mais de 400 anos desta culinária única de Macau seja mantido e divulgado”, acentua. A responsável assegura também que “o mapa de localização dos escritórios de representação da DST no exterior é objeto de contínua análise, uma vez que tem de acompanhar as prioridades e potencialidades dos mercados de visitantes para a cidade”.

“Antes do eclodir da pandemia CO- VID-19, estava a ser ponderada e preparada a abertura ou reabertura de escritórios no exterior, mas com as alterações trazidas pelo surto do novo coronavírus, os planos anteriores estão para já em suspenso até o panorama do turismo regional e internacional normalizar”, diz. Garante que a promoção de Macau “prossegue no exterior, ainda que noutros moldes – sobretudo através de atividades online – devido às atuais restrições”, assegurando que assim que “as condições o permitirem, a DST pretende realizar promoções de maior impacto em outros destinos, à semelhança do trabalho que está a ser feito no interior da China”.

Pode adiantar alguns pormenores sobre o que está a ser preparado, de novo, para tentar voltar a fazer de Macau um destino turístico de excelência, que já “bateu” praticamente na fasquia dos 40 milhões de visitantes em 2019. A responsável, contudo, não tem dúvidas acerca das prioridades e essas passam, “antes de mais, por manter a cidade segura, livre do novo coronavírus”. “Depois da abertura do interior da Chi- na estamos na expectativa de que mais mercados de turismo abram”, afirma, as- sinalando, por outro lado que, “à medida que isso for acontecendo, avançar-se-á com trabalhos de promoção, para passar a mensagem de Macau como destino seguro, para ganhar a confiança dos visitantes”.

Paralelamente, “para estimular o reinício dos movimentos turísticos”, os serviços vão continuar “a potencializar a plataforma ́Vamos! Macau! ́, com a oferta de descontos para atrair mais visitantes e encorajar o consumo, pro- movendo pacotes para entretenimento, gastronomia, dormidas e deslocações, incluindo a pretensão de lançar incentivos como excursões gratuitas de meio- dia para os visitantes que pernoitam na cidade”.

Senna Fernandes destaca que a oferta turística de Macau “irá continuar a crescer com novos resorts integrados a abrir, como o Grand Lisboa Palace, o Lisboeta, o The Londoner Macao e a terceira fase do Galaxy”, os quais “serão atrações por si só”.

“À luz do ́novo normal, e tendo em con- ta a evolução da situação do turismo nos últimos anos, DST está, entretanto, a proceder a uma revisão do Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau para mapear o desenvolvimento para os próximos anos”, conclui.

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