Museu Britânico identifica e devolve ao Iraque placa suméria roubada - Plataforma Media

Museu Britânico identifica e devolve ao Iraque placa suméria roubada

O Museu Britânico ajudou a polícia de Londres a identificar uma placa suméria rara com mais de 4.400 anos de idade roubada no Iraque, que em breve será devolvida ao seu país natal, anunciou a instituição

A Scotland Yard foi atraída pelas origens suspeitas de uma “tabuleta da Ásia Central” colocada num leilão online em maio de 2019 e pediu ajuda a especialistas do museu.

Descobriu então que a peça, esculpida em pedra calcária, e que representa uma grande figura masculina com uma saia típica suméria, provém de uma placa mural datada de 2.400 a.C. 

“Placas como esta são extremamente raras, existem hoje apenas cerca de 50 exemplares”, explicou o museu num comunicado, celebrando esta descoberta “emocionante e importante”. Todas elas vêm das principais cidades sumérias do Iraque e da Síria, informou.

Segundo os investigadores, o estilo particular da placa é típico do sul do Iraque e as marcas de queimadura corroboram a tese de que provavelmente veio das ruínas de Tello – a antiga cidade suméria de Girsu – onde outras peças com queimaduras semelhantes foram encontradas.

“Esta peça foi retirada ilegalmente do Iraque”, disse o museu, explicando que Tello foi “amplamente saqueada no final do século XIX”, mas também durante a Guerra do Golfo e a Guerra do Iraque em 2003.

“Comprometido com a luta contra o tráfico ilícito”, o Museu Britânico disse ter tido “o prazer de auxiliar no retorno ao Iraque desse importante objeto”, que, entretanto, será exposto nas suas instalações com a concordância das autoridades iraquianas.

O embaixador do Iraque em Londres, Mohammad Jaafar Al-Sadr, elogiou “a cooperação maravilhosa” entre o Museu Britânico e o seu país, acrescentando que “mais peças serão devolvidas num futuro próximo”.

Desde 2009, o Museu Britânico ajudou a devolver mais de 2.300 antiguidades roubadas, muitas delas para o Iraque, disse a instituição, citando 156 tabuletas de argila com escrita cuneiforme, entre outras.

No entanto, o museu foi criticado por não devolver outras peças há muito reivindicadas pelos seus países de origem, incluindo os frisos do Partenon à Grécia.

Por sua vez, o Chile está a negociar com o Museu Britânico para recuperar, por enquanto sem resultado, o moai Hoa Hakananai’a, de grande valor espiritual para a Ilha de Páscoa, localizada no Pacífico Sul. 

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