Ainda é cedo para falar da evolução da pandemia em África - Plataforma Media

Ainda é cedo para falar da evolução da pandemia em África

A Alta Comissária para a Covid-19 na Guiné-Bissau, Magda Robalo, considerou hoje que ainda é muito cedo para definir teorias para explicar uma evolução “menos maléfica” da covid-19 em África, mas há qualquer coisa que é preciso estudar.

“Penso que ainda vamos muito cedo na definição das diferentes teorias que possam explicar a evolução menos maléfica do vírus no continente africano”, afirmou Magda Robalo, que preside também ao Comité de Ética e Governação do Fundo Global da Luta Contra a Sida, Tuberculose e Malária.

Magda Robalo afirmou que o “cenário catastrófico” protagonizado inicialmente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) era “perfeitamente normal”.

Não só devido ao que estava a acontecer na Europa e nos Estados Unidos, mas também devido à epidemia de ébola, que ocorreu entre 2014 e 2016, e às “fragilidades dos sistemas de saúde dos países africanos”.

“Portanto, as previsões que foram feitas não foram previsões que não tivessem uma base de sustentação que não fosse sólida. As previsões tinham razão de ser”, salientou.

“Depois de nove meses de evolução da pandemia, tendo em conta os números que nós agora conhecemos tanto de casos, como de óbitos no continente africano, e apesar de todas as insuficiências dos nossos sistemas de informação sanitária, que sabemos que não captam todos os casos e óbitos, apesar das nossas dificuldades em termos de laboratório para diagnóstico, as previsões estão, felizmente, muito aquém daquilo que se esperava”, afirmou.

Para Magda Robalo, “há aqui qualquer coisa que é preciso estudar para perceber”.

“Também temos de perceber que estamos perante um vírus novo que não é totalmente conhecido. Nós precisamos de saber qual é o efeito em África que faz com que a mortalidade não seja tão elevada e mesmo em termos de infeção e do número de pessoas assintomáticas”, disse.

Para a antiga representante da OMS na Namíbia e no Gana, é preciso continuar a pesquisar.

“Penso que a pesquisa deve continuar para se saber se são fatores humanos, se existe alguma imunidade cruzada que esteja a interferir, precisa de se saber se tem algum aspeto relacionado com o meio ambiente que faça com que possivelmente este vírus não se dissemine tão facilmente, tão virulento”, afirmou, salientando que a análise de genomas não detetou tanta diferença que justificasse o comportamento do vírus.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 953.025 mortos e mais de 30,5 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em África, há 33.626 mortos confirmados em mais de 1,3 milhões de infetados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, Angola lidera em número de mortos e Moçambique em número de casos. Angola regista 147 mortos e 3.901 casos, seguindo-se a Guiné Equatorial (83 mortos e 5.000 casos), Cabo Verde (50 mortos e 5.186 casos), Moçambique (41 mortos e 6.537 casos), Guiné-Bissau (39 mortos e 2.303 casos) e São Tomé e Príncipe (15 mortos e 908 casos).

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