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Xanana Gusmão acusa líder da Fretilin de “demagogia” sobre projeto petrolífero timorense

O líder timorense Xanana Gusmão acusou hoje o presidente da Fretilin, maior partido do país, de “demagogia política” e “grandes contradições” pela sua posição sobre o projeto de um gasoduto do Mar de Timor para Timor-Leste.

“Estamos perante uma grande demagogia, nas declarações do grande líder da Fretilin, quando diz que foi o primeiro a defender o gasoduto para Timor-Leste, mas que a economia tem regras e exige estudos de viabilidade, que diz que não foram feitos”, afirmou hoje Xanana Gusmão em Díli.

“Eu quando li isso senti-me muito confuso. Diz que a Fretilin sempre defendeu, mas mesmo sem ter estudos convincentes? Então isso não é contradizer-se? Diz que defende, mas chegou a essa posição sem estudos”, sustentou o presidente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT).

Xanana Gusmão reagiu assim a declarações à Lusa de Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), na sequência de um debate iniciado por várias entrevistas à Lusa de responsáveis do setor petrolífero no país.

“A Fretilin foi a primeira a defender o gasoduto do Greater Sunrise para Timor. Mas a economia tem as suas regras e para começar deve haver estudos de viabilidade. E eu ainda não vi nada, não vi nenhum estudo que me convencesse”, afirmou Alkatiri.

“Não mudámos de linha. Queremos é poder provar que a linha para onde o país estava direcionado é a mais viável e benéfica para o país. Ninguém exclui nenhuma opção. Muito menos a opção de trazer o gasoduto para Timor-Leste, desde que seja viável”, considerou.

Os comentários de Alkatiri surgiram na sequência de um debate iniciado com declarações à Lusa do novo ministro do Petróleo e Minerais, Victor Soares, da Fretilin – que entrou para o Governo de onde saiu o CNRT de Xanana Gusmão.

Soares substituiu os principais responsáveis do setor, explicando à Lusa que isso traduz uma nova visão estratégica para o setor, com declarações que foram criticadas pelo ex-presidente da petrolífera Timor Gap, Francisco Monteiro, o que, por seu lado, suscitou fortes críticas da nova direção da petrolífera.

“Que visão estratégica é essa? A cidadania tem o direito de exigir ao Governo que apresente ao povo essa visão estratégica para o setor. E mesmo que os cidadãos não exijam, o Governo tem o dever de apresentar essa nova visão estratégica, tem o dever de prestar contas aos cidadãos”, afirmou.

Xanana Gusmão juntou-se hoje ao debate sobre o processo que ele próprio liderou – incluindo o acordo permanente de fronteiras marítimas com a Austrália e o futuro da partilha do projeto dos poços do Greater Sunrise.

“Há aqui grande demagogia do grande líder da Fretilin. Porque não há nenhuma base que regule o raciocínio. E, já agora, onde estavam os estudos convincentes para o CMATS?”, questionou, referindo-se ao anterior acordo que governava o Mar de Timor, negociado por um Governo liderado pela Fretilin.

Gusmão criticou igualmente as declarações de Alkatiri – que era primeiro-ministro quando em 2018 Timor-Leste assinou o tratado atual -, recordando que o executivo teve acesso a toda a documentação.

“O grande líder liderava o Governo e teve acesso a toda a documentação, sobre as condições e termos do tratado. Mas agora vem dizer que afinal não estava convencido. Se não estava convencido por que é que aceitou no Conselho de Ministros assinar o tratado?”, questionou.

O líder timorense falava num seminário organizado pelo Movimento Profissional de Apoio a Xanana Gusmão, ligado ao partido que dirige, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT).

Ao novo ministro do setor, Xanana Gusmão pediu “maturidade política” e que “reflita bem antes de politizar o assunto, porque este é um assunto de interesse nacional” que exige que se apresentem informações com “honestidade e transparência”, apelando ao Governo para que promova um debate sobre a questão.

Xanana Gusmão recordou o “período crítico” de pandemia que o mundo vive, considerando que em muitos países se pode tornar uma “ameaça para a democracia”, com “abusos e aproveitamentos políticos”, defendendo que a situação obriga a ainda maior “responsabilização da atuação e funcionamento dos Estados”.

Algo especialmente importante na “democracia em transição” que é Timor-Leste, que depois da grave crise política de 2006 deve procurar que haja sempre uma “consulta pública alargada sobre temas de interesse nacional”, defendeu.

Nesse sentido, disse, exige-se que o Governo “atue com responsabilidade, honestidade e transparência perante o povo”, clarificando o que significa a “nova visão estratégica” anunciada para o setor petrolífero.

Considerando a questão das fronteiras marítimas e do gasoduto para Timor-Leste aspetos da soberania nacional, Xanana Gusmão lembrou o combate travado pelos timorenses para consolidar essa soberania, face à “imoralidade” australiana, durante a ocupação indonésia do país, o que permitiu que agora “os recursos de Timor-Leste pertençam a Timor-Leste”.

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