PR timorense defende "vida digna" para militares veteranos

PR timorense defende “vida digna” para militares veteranos

O Presidente da República timorense pediu hoje ao Governo que trabalhe para garantir uma “vida digna” aos veteranos da luta contra a ocupação indonésia, estudando alternativas para assegurar que os apoios já dados têm efeito multiplicador.

O Estado, disse Francisco Guterres Lu-Olo em Díli, “tem o dever de valorizar os veteranos”, procurando proporcionar-lhes “uma vida digna”, e encontrando alternativas para que os apoios atualmente concedidos tenham mais impacto no futuro.

“O Governo aloca anualmente verbas para os veteranos e combatentes no valor de mais de 85 milhões de dólares americanos. Este orçamento mostra-nos que é necessário identificar alternativas para fazer este dinheiro render e sustentar as famílias dos veteranos num futuro próximo”, afirmou.

Francisco Guterres Lu-Olo falava durante as cerimónias que assinalam hoje o 45º aniversário das Falintil – as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste, o braço armado da resistência timorense à ocupação indonésia, que terminou em 1999 –,  que se transformaram depois nas atuais Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

As cerimónias, sob o lema “Com o espírito das FALINTIL, estou pronto e decidido a servir os interesses do povo e da nação”, contaram com a presença das principais individualidades do Estado.

Recordando os valores das Falintil – “trabalho honesto para libertar este povo da miséria” –, Lu-Olo disse que no momento atual esses princípios devem servir de inspiração para alcançar “o desenvolvimento social e o bem-estar” da população.

Manifestando “orgulho” pela “maturidade demonstrada” pela população e pelos veteranos das Falintil, o Presidente disse que cabe ao Estado “proteger e defender os direitos dos cidadãos” e que estes devem estar “conscientes dos seus direitos, mas também responsabilidades e deveres”.

O chefe de Estado recordou alguns dos momentos da história das Falintil e da luta contra a ocupação indonésia, incluindo a operação de 1981, a Kikis, lançada pelas forças indonésias, que levou à morte de vários quadros políticos e militares timorenses.

“A história das Falintil é de resiliência e capacidade de se reerguer perante as dificuldades. Foi graças ao sacrifício das gloriosas Falintil e do povo que colhemos os frutos a 30 de agosto de 1999 com o referendo [de independência]. Prova de que a vitória da libertação nacional foi conquistada à custa da vida de muitas pessoas”, lembrou.

Lu-Olo disse que cabe agora às FDTL “preservar estes valores e adaptá-los às missões que são agora outras, transformando-os à medida da conjuntura atual, nomeadamente na capacidade de prestar auxílio ao povo” em situações como as da atual pandemia da covid-19.

É ainda importante, frisou, “preservar a história verdadeira para as próximas gerações”, para que sirva como “raiz e um valor consolidado para as gerações vindouras”.

“Continuo a pedir ao governo que colabore e reúna os dados dos veteranos, das organizações da resistência e de todas as pessoas, de modo a apoiar o trabalho das diversas organizações (…) de registar e escrever a história do papel das organizações da resistência ou das organizações juvenis no processo da luta”, disse.

“Aos veteranos e combatentes que ainda estão entre nós, apelo para que continuem a contar a sua história aos seus filhos, aos seus familiares e ao povo em geral, de forma a ser transmitida às gerações futuras”, instou.

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