Presidente brasileiro autorizou ministro da Economia a avançar com nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras). Segundo militares do governo, presidente quer provar a Paulo Guedes que a medida não tem suporte político.
Em conversa recente, relatada à Folha, o presidente disse que o ministro pode voltar a testar o apoio ao tributo em eventuais tratativas com deputados e senadores.
Nos bastidores, no entanto, Bolsonaro reconhece que dificilmente um novo imposto terá apoio no Poder Legislativo. E considera que a iniciativa, caso seja viabilizada, pode desgastar a imagem do governo.
A opinião do presidente é compartilhada pela cúpula militar, para a qual o aceno do presidente ao ministro se trata de uma última tentativa de provar a ele que a medida não tem respaldo político.
No ano passado, as discussões sobre o novo imposto ajudaram a derrubar o então secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra.
Depois, Guedes colocou o tributo na geladeira, mas não o eliminou de seus planos. Recentemente, ele reforçou o argumento de que ele não se trata de uma CPMF.
Além disso, o ministro passou a chamar o tributo de digital, sobretudo por envolver o crescimento do ecommerce no país. As compras pela internet têm acelerado no Brasil e no mundo com a pandemia do coronavírus.
Nos planos da equipe econômica, até traficantes de drogas e políticos corruptos pagariam o imposto ao fazer uma transação, um pagamento, uma compra eletrônica e até pagar a fatura de serviços de streaming.
Em troca do imposto digital, o Ministério da Economia estuda propor uma desoneração de até 25% da folha de pagamento das empresas para todas as faixas salariais.
Leia mais em Folha de S. Paulo