Início » Juramento de apoiantes do KHUNTO causam polémica em Timor

Juramento de apoiantes do KHUNTO causam polémica em Timor

Lusa

 O juramento que um número de jovens timorenses tem feito ao partido KHUNTO, uma das forças do atual Governo, está a causar polémica no país, depois de informação de que membros da polícia terão completado o ritual.

O assunto marcou hoje parte do debate no plenário do Parlamento Nacional, com o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) a defender a sua liberdade de poder ter opções políticas, pedindo investigação sobre o caso.

Deputados de outras bancadas, porém, criticaram que possa haver elementos da polícia a fazer juramento a forças políticas ou até a grupos de artes marciais.

Em declarações esta semana, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Faustino da Costa, disse que a instituição terá “tolerância zero” face a qualquer elemento político que faça juramentos a organizações, incluindo grupos de artes marciais e partidos políticos.

“O comando da polícia tem competência para tratar esta questão. E vai aplicar o regulamento da polícia que dá zero tolerância ao envolvimento em artes marciais e partidos políticos”, disse.

Os intervenientes no juramento prestam lealdade ao partido, repetindo uma jura com as cabeças cobertas pelas bandeiras de Timor-Leste e do KHUNTO.

Outras fontes fazem referência a sangue como elemento usado no juramento, aspeto com grande carga simbólica em Timor-Leste, onde os juramentos de sangue são prática tradicional antiga.

Questionado sobre o assunto, Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) – maior partido timorense e atualmente no Governo – disse que a questão deve ser “discutida internamente” pelas forças que integram o executivo.

“Já que somos parceiros no mesmo Governo, vamos tentar discutir isso a nível interno e tentar mostrar o que está ou não errado no comportamento de cada um”, disse à Lusa.

Ainda assim, Alkatiri considera que nem agentes policiais nem sequer funcionários públicos devem fazer esse juramento, já que o seu papel é servir o Estado.

“A instituição da PNTL só faz um juramento, que é servir o Estado de direito democrático. Não deve haver espaço para outros juramentos”, disse.

“Para mim nem polícias nem funcionários públicos, que também fazem juramento no ato de posse, e é esse juramento que devem cumprir”, considerou.

António Conceição, deputado do Partido Democrático (PD), disse que os polícias podem exercer a sua opinião política no ato de votação, aquando de eleições, mas que, “enquanto servidores do Estado, é inaceitável que possam aderir a qualquer partido”.

Recordando que a constituição define a PNTL como organização “rigorosamente apartidária”, Conceição diz que isso “proíbe rigorosamente a qualquer membro aderir a um partido político”.

“Se queremos defender a constituição temos responsabilidade de educar as instituições do Estado e fazer lembrar que atos incorretos devem ser corrigidos”, afirmou hoje no plenário.

O deputado disse que o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, que é também ministro do Interior, tem a “responsabilidade de apoiar os atos do comandante geral da PNTL para poder tomar medidas sérias em relação a polícias que pretendam aderir” a grupos políticos.

“Têm de fazer opções, ou continuam como polícias ou saem, mas o Estado não pode tolerar comportamentos desses, para poder garantir que todo o cidadão continua a confiar na instituição da polícia”, disse.

Luis Roberto, deputado do KHUNTO, disse que “é falsa” a informação de que membros da polícia tenham feito juramento, pedindo uma “investigação rigorosa”.

“Porque é que todos estão preocupados com o KHUNTO? Deixem de dar ouvidos aos rumores. Isso não dá benefício à vida do povo”, acrescentou Olinda Guterres, outra deputada do partido.

Luis Roberto explicou à Lusa que o juramento é um dos critérios para aderir ao partido, que se aplica desde a sua fundação em 2011, negando igualmente informações de que o partido exigia pagamentos para que militantes possam ter acesso a cargos no Governo ou na administração pública.

“Temos entre 40 e 50 mil pessoas que fizeram juramento. Muitos jovens”, disse.

Roberto disse ainda que o KHUNTO “está separado” do grupo de artes marciais KORKA – ainda que vídeos do líder do partido, Josée Naimori, sejam divulgadas com ‘marca’ do grupo nas redes sociais.

“Há membros de vários grupos de artes marciais no KHUNTO”, afirmou.

A polémica alargou-se à própria igreja, depois de o padre Domingos Maubere ter criticado o líder do KHUNTO, José Naimori, por usar simbologia da Igreja Católica, incluindo cruzes e até batinas idênticas às do clero, em encontros do partido, apelidando-o de “falso profeta”.

Em resposta, Naimori disse que estava preparado para debater a questão com a Igreja e que, se fosse caso disso, abandonaria a religião católica e abriria uma nova religião.

Durante a campanha para as eleições legislativas de 2018 – quando o KHUNTO fazia parte, com o CNRT e o PLP, da coligação Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) –, os dirigentes destes dois partidos, respetivamente Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak (atual primeiro-ministro), também participaram em cerimónias rituais lideradas por Naimori.

Fotos desse momento regressaram nos últimos dias às redes sociais em Timor-Leste, ampliando o debate sobre a atual polémica.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website