Uso de mercenários em Cabo Delgado levanta onda de críticas - Plataforma Media

Uso de mercenários em Cabo Delgado levanta onda de críticas

A estratégia usada pelo Governo moçambicano no combate à insurgência em Cabo Delgado tem sido questionada amiúde pela sociedade civil. Adriano Nuvunga, do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), é uma das pessoas que se mostra agastada com o que se passa naquela província moçambicana e afirma que o uso de mercenários é contra a convenção da União Africana

Nuvunga refere ainda que mercenários no terreno é algo contrário ao investimento feito para apetrechar o exército moçambicano por parte do Estado. “Achamos inconcebível que Moçambique esteja a usar mercenários hoje, porque durante os últimos 10 anos o Governo reservou 20% do orçamento de Estado para exército, mas esse dinheiro não era usado para modernizar e apetrechar o exército porque não havia transparência”, afirmou Nuvunga ao portal noticioso Voa Português.

Nuvunga, ouvido recentemente pelo PLATAFORMA, sublinha que “Moçambique não deve utilizar mercenários no quadro da convenção [da União Africana], ainda que não tenha sido assinada, porque vai em contramão na dinâmica atual da governação militar e da gestão da soberania”.

Entretanto, com o agravar da situação em Cabo Delgado, o Governo moçambicano solicitou apoio à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para combater os terroristas que espalham o caos na província. A África do Sul já manifestou intenção de ajudar, mas o apoio teima em chegar.

Nuvunga vê este atraso com “muita preocupação”. “Na última reunião [da SADC] não tinham falado de um pedido que está em cima da mesa, nem sequer esteve na agenda, o que se está a passar aqui? Pode parecer que o próprio Governo de Maputo não está a fazer adequado seguimento ao assunto (…) provavelmente esteja mais interessado em usar os mercenários”, comenta.

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