Luta continua em Timor Plataforma Media Luta continua em Timor

Luta continua em Timor

Xanana Gusmão perde poder para Taur Matan Ruak, que prepara novo orçamento, num país gerido por duodécimos. A tensão entre velhos companheiros abala o equilíbrio no Exército; a Austrália alerta contra a  “ameaça” que vem da China… E Ramos Horta, o eterno diplomata mundo, ataca a ideia de se criminalizar a difamação, em nome da liberdade de expressão. A luta continua em Timor.

Na pele de ministro de Estado, Xanana forçou eleições antecipadas, levando mesmo Matan Ruak a admitir a renúncia ao cargo de primeiro-ministro, em Fevereiro último, sentindo falta de apoio parlamentar. Contudo, a pandemia – e o Estado de Emergência – tudo mudou. O Partido Democrata e o KHUNTO trocaram o apoio ao Congresso Nacional de Reconstrução (CNRT) e juntaram-se à Fretilin, criando uma coligação de 41 deputados, em 65, liderada pela Fretilin.

O ambiente é de tal forma quente que duas deputadas entraram mesmo em confronto físico, em pleno parlamento, numa discussão sobre a língua portuguesa.

Xanana vira costas ao Governo, após ter invertido os tradicionais orçamentos de pobreza, com a influência da Fretilin a proteger, anos a fio, a “sustentabilidade” do fundo soberano, criado com as receitas do petróleo – 16 mil milhões de dólares.

O recente investimento em infra-estruturas, empurrado por Xanana, multiplicou-se: 650 milhões de dólares na compra de participações do Greater Sunrise (petróleo e gás); novo aeroporto, instalações portuárias, rodovias … e o mega-projeto da refinaria Tasi Mane, velho sonho de Mari Alkatiri. Contudo, a petrolífera australiana Woodside Petroleum, apoiada por Camberra, recusa refinar o crude em Timor, insistindo em fazê-lo em Darwin. E a Fretilin aponta o dedo à “extravagância”.

Entretanto, Pequim dá sinais de poder financiar a refinaria e os oleodutos subaquáticos que permitiriam canalizar o crude do Greater Sunrise para solo timorense. E é oficial a proposta de Pequim para modernizar o Exército timorense. O senador australiano, Rex Patrick, lançou em Camberra o alerta contra “o perigo” de Pequim vir a estabelecer em Timor-Leste uma base militar.

Numa terra farta em rumores – e uma realpolitik externa incontornável – o Governo quer agora criminalizar a difamação. Mas enfrenta outra voz desavinda. Ramos Horta ergue a voz pela liberdade de expressão. A luta continua.

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