As autoridades chinesas detiveram dois cidadãos japoneses suspeitos de tentarem retirar ilegalmente terras raras da China, num caso que agrava as tensões entre Pequim e Tóquio, num contexto de crescente disputa em torno do controlo de minerais estratégicos.
Os dois japoneses, funcionários da mesma empresa industrial, foram detidos em maio na cidade portuária de Dalian, no nordeste da China. As detenções foram confirmadas na quarta-feira (24) pelos governos chinês e japonês.
Os dois homens tentavam transportar terras raras para fora da China, materiais considerados essenciais para as cadeias globais de abastecimento de setores como os semicondutores, veículos elétricos e equipamento militar, segundo fontes citadas pelo jornal britânico Financial Times.
Questionado sobre o caso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês apelou ao Japão para orientar os seus cidadãos e empresas a “cumprirem as leis e regulamentos chineses” quando operam no país.
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O Governo japonês afirmou que responderá “de forma adequada, do ponto de vista da proteção dos cidadãos japoneses no estrangeiro”, disse o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara.
Responsáveis japoneses admitiram que o incidente poderá agravar o ambiente de negócios para as empresas japonesas na China, já afetado pela deterioração das relações bilaterais.
As tensões entre os dois países agravaram-se desde novembro do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que o Japão poderia, em determinadas circunstâncias, envolver-se militarmente caso a China invadisse Taiwan.
Pequim condenou repetidamente essas declarações, acusando Tóquio de promover uma militarização do Japão e exigindo que Takaichi retirasse os comentários.
As detenções ocorreram no mesmo dia em que o Ministério do Comércio chinês reforçou a campanha contra o contrabando de terras raras, apelando à população para denunciar suspeitas de violações das regras de exportação através de uma linha telefónica e de uma plataforma na Internet.
O ministério advertiu que poderão ser responsabilizadas não apenas as pessoas envolvidas na exportação ilegal, mas também empresas ou indivíduos que prestem apoio logístico, financeiro, aduaneiro ou através de plataformas de comércio eletrónico.
A China domina a produção mundial de terras raras, matérias-primas indispensáveis para uma vasta gama de tecnologias civis e militares, e tem vindo a reforçar os controlos às exportações destes minerais no contexto das disputas comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos e o Japão.
Este ano, Pequim endureceu também as restrições à exportação para o Japão de produtos classificados como de “dupla utilização”, ou seja, suscetíveis de aplicações civis e militares.