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Cabo Delgado: “Guterres está a fazer bastante pouco”

Paulo Rego

O secretário-geral da ONU, António Guterres, mas “também Portugal”, têm a “responsabilidade” de fazer mais pelo fim dos massacres em Cabo Delgado. Adriano Nuvunga, professor de ciência política e ativista dos direitos humanos e políticos, um dos primeiros a denunciar os 1.100 mortos e 200.000 deslocados na província moçambicana, espera que a ajuda internacional chegue, “em breve”, enviada por potências africanas vizinhas.

Diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento – ONU com sede em Maputo – Nunjunga diz que metade da população está em fuga, aterrorizada por grupos armados, de cara tapada: “Passam as noites escondidos no mato”. A estrutura militar, permeável à “corrupção”, lamenta, “afasta-se da missão republicana” de garantir “a segurança das populações” e a “soberania nacional”. Por isso considera urgente ajuda militar internacional.

Nesse contexto, lamenta que António Guterres, “como secretário-geral das Nações Unidas – e português” – não tenha agido de forma mais decisiva. Até para promover um “maior envolvimento do Brasil e de Portugal”, que também acusa de terem virado costas ao drama humanitátio. Guterres “está a fazer bastante pouco”.

Adriano Nuvunga acusa o Exército moçambicano de ser refém dos “grandes interesses”, razão pela qual se mostra incapaz de conter os grupos armados que aterrorizam as populações. “Queimam casas, matam pessoas e decepam cabeças”, na impressionante descrição do Bispo de Pemba, D. Luíz Fernando Lisboa, em recente entrevista ao PLATAFORMA.

Adriano Nuvunga elogia a consciência política da SEDC – Conselho Económico e Social da União Africana, estrutura, contudo, sem meios militares. Por isso espera que ela chegue, “em breve”, enviada por potências africanas: “África do Sul, Zimbabwe e, até, Angola”, acredita, estão mais dispostas a ajudar: “São quem tem meios” e “sabem que a instabilidade em Cabo Delgado é a instabilidade da região”, até pela ameaça do Estado Islâmico. “Se acreditarmos”, ressalva.

Adriano Nuvunga, noutro texto hoje publicado no PLATAFORMA, explica o verdadeiro motivo que, na sua opinião, está por trás dos permanentes ataques em Cabo Delgado: a “luta interna” de poder pelo acesso aos contratos de segurança com as multinacionais de gás natural”.

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