Adriano Nuvunga aponta o dedo à “corrupção no Exército” e às “lutas internas” entre os “grandes chefes” pelo “acesso aos contratos de segurança com as multinacionais” do gás natural. Vozes que tem denunciado os massacres em Cabo Delgado, elogia agora o Presidente moçambicano que, tendo ascendido ao poder no meio dessa realidade, está “a denunciá-la”.
O diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, que tem vindo a denunciar os massacres em Cabo Delgado, tem uma visão muito crítica do Exército moçambicano, que acusa de estar “capturado por interesses” e permeável à “corrupção”. Elogia o Presidente Filipe Nyusi por estar “a denunciar isso e a levar esse debate para junto da população”. Filipe Nyusi fará “parte do processo” que permitiu a ascensão de “grandes chefes” que dominam os grandes negócios ligados ao Estado, mas “está a levar esse debate para junto da população”.
Professor de ciência política e ativista dos direitos humanos e políticos, Adriano Nuvunga recusa a tese segundo a qual a criação do Estado Islâmico justiça os massacres em Cano Delgado. Noutro texto que hoje publicamos no PLATAFORMA, explica que, na sua opinião, por trás do clima de terror está “a luta interna” desses “grandes chefes” pelo “acesso aos contratos de segurança privada” que vêm aí com a presença das multinacionais do gás natural.