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Erro de paralaxe

António Bilrero*

E de repente tudo muda. As atenções dos Estados Unidos estavam viradas para o exterior. A Assembleia Popular Nacional chinesa tinha acabado de aprovar a proposta de lei de segurança nacional de Hong Kong.

Entre ameaças ao fim do estatuto especial da cidade e um pedido inconsequente de uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para debater a situação na antiga colónia britânica, Washington embarcou numa aparente onda de entusiasmo no âmbito da guerra comercial (como lhe chamam) com Pequim, que parece ter-lhe toldado a visão para o que lhe ia nas entranhas.

Com a cabeça, logo os sentidos, a 13 mil quilómetros de distância, em Hong Kong, a Casa Branca não percebeu (ou fingiu não ver) o que estava em crescimento a cerca de 1800 quilómetros, em Mineápolis. Ali, no centro norte da nação, uma ação criminosa de um polícia branco levou à morte por asfixia de um cidadão negro. Num ato que aparenta muito mais do que uma detenção. Há ali indícios de uma vontade clara de subjugar e mostrar poder. Um joelho persistentemente colocado sobre um pescoço durante oito minutos e 46 segundos… mais ou menos o mesmo tempo que a luz do Sol demora a iluminar a Terra, mas que continua a ser insuficiente para retirar da penumbra alguns homens.

E de repente tudo muda. As atenções dos Estados Unidos estavam viradas para o exterior. A Assembleia Popular Nacional chinesa tinha acabado de aprovar a proposta de lei de segurança nacional de Hong Kong

Conclusão: a indignação começou por sair à rua para protestar contra a brutalidade policial e exigir justiça. Num país também vergado às incertezas e à disrupção política, económica e social causadas pela pandemia do novo coronavírus, muitos passaram dos protestos pacíficos a ações violentas centradas na destruição e pilhagem.

Entre ameaças do presidente Trump de mandar o exército para a rua para repor a ordem, de acusações de terrorismo aos movimentos radicais e de a esmagadora maioria das declarações de recolher obrigatório não passarem de letra morta o caos continua a ser a ordem do dia em muitas cidades e estados norte-americanos.

Em ano de eleições (e da mais do que previsível recandidatura de Donald Trump), o slogan “America first” já teve melhores dias.

*Editor executivo do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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