Início » Sagres regressa e adia estudo dos oceanos

Sagres regressa e adia estudo dos oceanos

O objetivo do projeto de investigação SAIL era estudar o clima e a saúde dos oceanos, mas a viagem à volta do mundo do navio-escola Sagres, da Marinha portuguesa, acabou antes do tempo previsto. Efeitos da Covid-19. 

A Sagres já deu meia volta para regressar a Lisboa depois de a viagem de celebração dos 500 anos da circum-navegação de Fernão de Magalhães ter sido interrompida devido ao risco da pandemia causada pelo Sars- CoV-2. O navio estava na África do Sul. A chegada a Lisboa está prevista para a primeira quinzena de Maio. 

A notícia do regresso a Portugal não foi uma surpresa mas, ainda assim, foi recebida “com alguma tristeza” pelas 142 pessoas embarcadas. A bordo está uma equipa de cientistas que produz 13 GB de dados por dia. Objetivo: ajudar a prever o clima do futuro, a perceber melhor as alterações climáticas e a avaliar a saúde dos oceanos. 

Numa expedição rara à volta do Mundo, os investigadores estavam a aproveitar para recolher informação de sítios nunca antes medidos. Nos dois meses que o navio leva de navegação, os cientistas recolheram dados do oceano, da atmosfera e da radiação que vem do espaço. No mastro, dois sensores medem a cada segundo o campo elétrico da atmosfera. A medição é importante, porque “hoje há mais poluição e o campo elétrico está diferente”. 

“Essa é a maior incerteza que há nos modelos climáticos atuais, que ainda usam os dados de há cem anos”, diz Susana Barbosa, líder científica do projeto SAIL (Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary layer), coordenado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC). 

No navio segue uma espécie de submarino – o Towfish – que mede a temperatura, salinidade, clorofila, ruído associado à vida marinha e o oxigénio. “Há, neste momento, zonas de mínimos de oxigénio no oceano”, assinala Susana. 

“O que impressionou mais, ao atravessar o Atlântico, foi perceber que o mar está morto. Não vemos pássaros, cetáceos, peixes voadores, golfinhos, baleias, peixe-gato. Ninguém duvida que está diferente”, alerta. 

Outro estudo em curso passa pela monitorização do lixo marinho e a medição da quantidade de microplásticos no oceano, realizado em associação com o Instituto Hidrográfico português. Os dados recolhidos contribuirão para mapear zonas de acumulação e avaliar a saúde dos peixes. 

Deveriam ser 371 dias de uma jornada única. Previa-se que a Sagres passasse por 19 países, Ficou-se por seis devido à pandemia. 

Redação com JN e TSF  03.04.2020

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website