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Cada um por si

O presidente americano Donald Trump voltou a surpreender durante o seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Com a sua afirmação de que a China não deseja que ele continue a servir como presidente dos EUA, que foi recebida com um “encolher de ombros”, inadvertidamente o próprio revelou o porquê de estar sempre a jogar a mesma carta no que diz respeito ao comércio. A China inicialmente queria definir um acordo comercial com os EUA, pois o país sempre acreditou que um laço comercial entre os dois países seria mutualmente benéfico, tanto para a economia chinesa como para os EUA. Porém, Donald Trump decidiu alterar a estratégia de negociação americana, exercendo pressão constante sobre o lado chinês. Sendo que o chefe de estado norte-americano sabe perfeitamente que o método de intimidação americano não teve sucesso com vários países muito mais pequenos que a China, porque conseguiria ele ter sucesso na disputa comercial com a China? Inicialmente, a China foi apanhada de surpresa com as fricções comerciais criadas por Trump, não estando preparada para as jogadas imprevisíveis do presidente. Agora, compreendem que o seu objetivo é atingir a sua ambição pessoal, garantindo a todo o custo que voltará a ser eleito. Sendo assim, a China naturalmente tornou-se um alvo nesta campanha. Mesmo que posteriormente seja finalizado um acordo comercial, até lá Trump terá que manter esta atitude rígida. Durante o seu discurso nas Nações Unidas, o próprio afirmou ser o primeiro presidente dos EUA a desafiar a China em questões comerciais, sendo essa a razão pela qual a China não simpatiza com ele. Na verdade, embora durante a sua campanha eleitoral Trump tenha constantemente atacado as políticas comerciais chinesas com ameaças de taxas elevadas e acusando a China de “manipular a moeda”, várias outras políticas do presidente americano estão de acordo com a visão chinesa. Durante a sua campanha, mencionou que os EUA não devem interferir em assuntos internos de outros países, afirmando que o país já tinha sofrido muito com a diplomacia de direitos humanos e políticas democráticas levadas a cabo por figuras como Hillary Clinton. Com todo o dinheiro que os EUA investiram em tropas destacadas na Coreia do Sul, em interferências na questão de Taiwan e em várias guerras no Médio Oriente, teria sido possível criar no país infraestruturas suficientes para competir com a China.
A China não está com medo de uma competição económica justa e aberta com os EUA. Se Trump conseguir concretizar a sua aspiração para esta campanha eleitoral, fazendo com que o país abandone o seu papel de polícia global e com que todos os países compitam de forma justa entre si, haverá grandes benefícios para a paz mundial, assim como para o desenvolvimento da China. De certa forma, esta estratégia vai também ao encontro da ideia de um “futuro comum para a humanidade” promovido por Xi Jinping, por isso não faz sentido afirmar que a China não quer ver Trump novamente no poder. A China não tem poder de influência sobre a presidência americana. O que poderá empurrar Trump para fora da Casa Branca serão alguns grupos de interesse do país, incluindo grupos da indústria de armamento militar, da indústria financeira, de órgãos de comunicação que mantêm uma ideologia de guerra fria, e, claro, do Partido Democrático, a principal oposição de Trump.
Com a vontade de reduzir o número de tropas posicionadas no estrangeiro, Trump ofendeu a indústria de armamento. Tendo inicialmente falado em desarmamento, no final o que aconteceu foi uma expansão e um aumento das despesas militares, provando que Trump não pode mexer com os interesses desta indústria. Mais tarde também se opôs à globalização, prejudicou os grupos de interesse financeiros, o que levou a uma exposição de irregularidades no financiamento da campanha eleitoral e acordos secretos com a Rússia. Para não falar das críticas praticamente diárias devido àquilo a que chama de “fake news” (notícias falsas). Trump quer agora apontar o foco para a China, uma estratégia que parece inteligente, mas na verdade não o é. A sabedoria chinesa é muito superior à de Trump. O presidente está enganado se acha que esta política de “pau e cenoura” irá resultar com a China. Para vários políticos americanos, esta competição entre os EUA e a China é como o boxe no ocidente: ora ataco eu, ora atacas tu. Todavia, os chineses são mais inteligentes do que imaginam, segundo a sabedoria chinesa, cada um decide por si a postura a tomar. Resumindo, Trump acabou de revelar uma grande verdade neste seu último discurso nas Nações Unidas. O objetivo da sua guerra comercial com a China não é equilibrar o défice comercial, nem afetar as políticas de produção chinesas. Na verdade, esta guerra serve sim para o próprio se destacar nestas próximas eleições. Como se costuma dizer, é “cada um por si”. Para o presidente americano, iniciar uma guerra comercial com a China não é nada excessivo.

David Chan 05.10.2018

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