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Isqueiro

Os Estados Unidos anunciam sanções à Rússia numa altura em que os conflitos com o Irão se intensificam no médio oriente, provando que as relações do Governo norte-americano com o resto do mundo estão em claro declínio. Recentemente, foi revelado que aviões militares dos EUA foram mais uma vez causar distúrbios no Mar do Sul da China. Segundo a CNN, no dia 10 de agosto (hora local), um repórter acompanhou um Boeing P-8 Poseidon (avião de reconhecimento) americano desde a base militar em Okinawa no Japão, sobrevoando águas do Mar do Sul da China. Este avião voou sobre 4 ilhéus das Ilhas de Nansha, onde a China possui fortificações militares, tendo num dos ilhéus detetado 86 outros navios, incluindo navios da Guarda Costeira chinesa. 

Segundo o que foi relatado, durante o voo o avião recebeu seis avisos das forças militares chinesas. Estas mensagens alertavam para o facto de o avião estar dentro do espaço aéreo chinês, pedindo que o abandonasse imediatamente. O avião em questão, como habitual, respondeu estar em operação militar legítima, não tendo por isso de se submeter à autoridade de países terceiros. Ainda assim, devido à atitude firme assumida pelo lado chinês, o avião de reconhecimento americano abandonou rapidamente o local. 

Anteriormente, alguns órgãos de comunicação social apelidaram os EUA de “isqueiro”, por ter o hábito de passar em todos os locais onde a paz está instalada. Pelo que se verifica, esta alcunha não é completamente infundado. No médio oriente a Sexta Esquadra norte-americana, juntamente com o grupo de navios de transporte (CVBG) aproximou-se do Estreito de Ormuz, gerando assim, não só conflitos com o Irão, como também a possibilidade de uma situação de guerra a qualquer momento. A nível internacional, os EUA já utilizaram o ataque do passado mês de março, sobre um antigo espião russo no Reino Unido, como desculpa para imporem sanções sobre a Rússia, piorando ainda mais a relação entre os dois países. Agora o país está mais uma vez a enviar aviões militares para sobrevoar o Mar do Sul da China, algo deliberadamente planeado como forma de criar instabilidade na região e agravar tensões. Quando a China e 10 estados-membro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) negociaram um código de conduta no Mar da China Meridional, os EUA decidiram, propositadamente, enviar aviões militares para sobrevoar a região e dessa forma reacender tensões, afetando relações entre a China e os restantes países vizinhos. Todavia, os 10 países em questão não se deixaram influenciar e durante a última reunião passaram uma mensagem muito clara: A estabilidade do Mar da China Meridional deve ser garantida, conjuntamente, pelos seus países vizinhos, não sendo necessária a opinião dos EUA. Claramente, esta atitude norte-americana só agravou conflitos existentes entre a China e os EUA, especialmente numa altura em que os dois países estão envolvidos numa guerra comercial em crescimento contínuo. Porém, atitudes como esta poderão ter o efeito contrário, apenas levando a China a reforçar as capacidades de defesa e vigilância nesta região. Afinal de contas, quem brinca com o fogo, queima-se.

DAVID Chan 17.08.2018

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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