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Serão capazes de entender “A Arte da Guerra”?

Parece que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China não irá abrandar tão cedo. Embora os EUA continuem a impor novas taxas e impostos para tentar que a China aceite uma renegociação, o país apenas está disposto a negociar se houver por base a igualdade e integridade. A China tem, constantemente, afirmado estar aberta ao diálogo. Porém, deparando-se com alguma falta de credibilidade vinda da outra parte, que constantemente volta atrás com a palavra, o país não está muito ansioso por levar a cabo tais negociações. Em vez disso, a China parece estar a preparar-se para uma longa batalha, pois sabe que em caso de guerra comercial com os Estados Unidos possui muitas qualidades que os EUA têm vindo a ignorar. 

Em primeiro lugar, a China já possui um sistema totalmente industrializado. No ano de 1984 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento dividiu o setor industrial em 41 grandes indústrias, 191 médias indústrias e 525 pequenas indústrias. Segundo estes mesmos requisitos industriais, a China possui exatamente 41 grandes indústrias, 191 médias indústrias e 525 pequenas indústrias, sendo por isso o único país no mundo com tal vantagem. 

Em segundo lugar, a China é um país extremamente grande e com uma procura interna igualmente vasta. Em área, o país cobre 9,6 milhões de quilómetros quadrados, mais ou menos o tamanho do continente europeu. Em população, conta com 1,4 mil milhões de habitantes, o dobro da população europeia. No ano de 2014, o PIB PPC (paridade de poder de compra) da China ultrapassou o dos EUA, e em 2017 foi 120 por cento do norte-americano. Além disso, a parte mais central da economia moderna gira em torno do fabrico moderno. Em 2015, a produção industrial chinesa ultrapassou a norte-americana, e este valor no ano de 2017 era já 165 por cento da produção dos EUA, chegando quase a ser igual ao valor total da produção combinada norte-americana, japonesa e alemã. 

Em terceiro lugar, em termos estratégicos, a China é completamente autónoma. Tanto a nível de estratégia de segurança como de desenvolvimento, a China não está dependente de ninguém. Ao contrário de Donald Trump que precisa de ter em consideração as opiniões de republicanos, democratas e do Congresso. 

Em quarto lugar, o governo de Trump está neste momento a criar inimigos por todo o mundo, e se continuar com esta atitude muito dificilmente irá conseguir o apoio da comunidade internacional. É claro que a China poderá encontrar grandes dificuldades se os Estados Unidos se juntarem aos seus aliados no Ocidente numa guerra comercial contra o país. Porém, até ao momento, os EUA têm iniciado uma guerra comercial não só com a China, mas também com os seus vizinhos e aliados, por isso a vantagem americana não é muito clara. 

Acima descrevi todas as superioridades chinesas neste conflito comercial, superioridades às quais Trump tem prestado pouca atenção, provando que ele e a respetiva administração são demasiado arrogantes e egocêntricos. Consta que o livro de Sun Tzu “A Arte da Guerra” é muito popular nos EUA e no resto do Ocidente. O que retirarão eles então da frase “conheça-se a si mesmo e ao seu inimigo e nunca será derrotado”? 

DAVID Chan 10.08.2018

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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