Início » Todos devem participar no debate sobre inteligência artificial

Todos devem participar no debate sobre inteligência artificial

O Governo chinês anunciou recentemente planos para um investimento massivo e programas de desenvolvimento com o objetivo de tornar a China em líder mundial em inteligência artificial até 2030. A inteligência artificial representa o mais recente objetivo numa revolução tecnológica que nos últimos anos não só tem mudado o mundo, mas também a maneira como vivemos, trabalhamos e comunicamos.

No campo da inteligência artificial, a China planeia até 2020 estar ao mesmo nível de países concorrentes como os Estados Unidos, ultrapassando-os na década seguinte e tornando assim a inteligência artificial na força impulsionadora da sua transformação económica.

Estas promessas parecem grandiosas, mas o que é exatamente a inteligência artificial?

A maioria das pessoas consegue compreender o conceito de carros com condução autónoma, e todos apreciam as vantagens que uma tecnologia como essa pode trazer. Para muitos, no entanto, a ideia de que máquinas poderão um dia ser mais inteligentes do que seres humanos assemelha-se a histórias de ficção cientifica sobre um mundo assombroso em que a tecnologia assume o controlo.

Até mesmo peritos em tecnologia estão divididos em relação a que direção tomar para evitar estas potenciais consequências.

Elon Musk, CEO norte-americano da empresa automóvel Tesla e da empresa de exploração espacial SpaceX, disse recentemente, em tom de brincadeira, que a razão pela qual os humanos deveriam colonizar Marte seria para servir como refúgio face a robôs com pensamento próprio destinados a tomar conta do mundo. Este bilionário, cético no relativamente à inteligência artificial, está preocupado com a possibilidade de a humanidade se deparar com tecnologias que levarão à sua própria destruição. Em 2014, Musk descreveu a inteligência artificial como sendo a maior ameaça à existência humana.

Avisos semelhantes foram também já proferidos pelo famoso físico inglês Stephen Hawking.

Alguns pioneiros da tecnologia têm uma postura mais relaxada. Ray Kurzweil, um pioneiro no desenvolvimento tecnológico, está confiante de que controlos prudentes podem evitar tais acontecimentos assombrosos. O próprio cita avanços na biotecnologia, que antes tinham sido vistos como possíveis ameaças por várias pessoas alarmadas com a ideia de manipulação genética.

Os argumentos de Kurzweil e outros, de que a humanidade já experienciou desafios existenciais no passado que foram ultrapassados, são reconfortantes. A maioria das inovações desde o principio da humanidade teve potencial tanto para o bem como para o mal. A lança do homem das cavernas poderia ter sido usada tanto para caçar o jantar, como para aniquilar o vizinho. As quatro grandes invenções chinesas foram a bússola, o papel, a impressão e a pólvora. Talvez fosse melhor se a última fosse usada apenas como fogo de artifício em vez de ser desenvolvida por outros para a industrialização da guerra.

Mas, como muitos podem concordar, não podemos parar o progresso. A inteligência artificial irá mais tarde ou mais cedo tornar-se numa realidade, e um sinal positivo é que cientistas de todo o mundo estão a colaborar para garantir que esta não será utilizada indevidamente.

O MIT-Instituto de Tecnologia de Massachusetts começou nesta última década a colaborar com a Universidade de Tsinghua e outras instituições chinesas no campo da inteligência artificial e alta tecnologia. Num relatório de 2010, o instituto afirmou: “Se vamos estar envolvidos na resolução de problemas globais – quer sejam cidades sustentáveis, mudanças climáticas, esgotamento de recursos, controlo de doenças ou outros – temos de ser capazes de compreender e colaborar com a China.”

Com a China preparada para liderar no desenvolvimento da inteligência artificial, ela e os seus parceiros internacionais estarão também procurar potenciais consequências prejudiciais da nova tecnologia no que diz respeito à substituição de postos de trabalho e segurança global.

Tal como Fei-Fei Li, perita em inteligência artificial e cientista-chefe para a Google Cloud, disse recentemente à agência de noticias Xinhua, a inteligência artificial pode ser usada para benefício humano ou para lhe causar grandes problemas. Todos devemos estar envolvidos neste debate. “Líderes de Silicon Valley, professores, estudantes, legisladores, regulamentadores, educadores… todos devem participar nesta discussão.” 

‭ ‬Harvey Morris*

* Consultor editorial sénior do China Daily

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!