Plataforma onde todos podem beneficiar

por Arsenio Reis

As suspeitas são aparentemente impossíveis de evitar para a China: primeiro foi acusada de “parasitismo” por alegadamente fazer muito pouco; noutro momento é alvo de suspeitas, vindas das mesmas pessoas, de possuir segundas intenções para tentar cumprir aquilo que é esperado de si como “potência responsável”.

O discurso principal do Presidente Xi Jinping na abertura do Fórum Faixa e Rota para Cooperação Internacional, a formulação mais abrangente da Iniciativa Faixa e Rota da China até aqui, respondeu a muitas questões, incluindo aquelas relativas às suas intenções.

Como foi evidente pelas palavras de Xi, a iniciativa é fundamentalmente diferente do Plano Marshall  ou do Programa de Recuperação Europeia da década de 1940, ou do atual acordo da Parceria Transpacífico – ou, efetivamente, de quaisquer projetos recentes de desenvolvimento regional. Ela é distinta porque, ao contrário da maioria dos projetos de cooperação semelhantes, nunca teve a intenção de ser “reservada a membros”.

Embora a ideia original tenha sido concebida tendo em mente países ao longo de uma faixa económica terrestre da Rota da Seda e de uma Rota da Seda Marítima do Século XXI, a Iniciativa Faixa e Rota, como é agora conhecida de forma coletiva, é uma plataforma aberta de cooperação na qual qualquer país é bem-vindo a participar e a daí beneficiar, tal como Xi afirmou no dia 14.

Embora a lógica por detrás de iniciativas semelhantes tenha tido tendência a concentrar-se em ideias de dominação, Xi afirmou em termos explícitos que a China está empenhada em construir parcerias.

Explicando a visão chinesa das Rotas da Seda modernas para a paz, prosperidade, abertura, inovação e harmonia entre civilizações, Xi sublinhou mais uma vez a aspiração chinesa a um “novo tipo” de relações internacionais, baseadas e motivadas por um espírito de partilha, ou, segundo as suas palavras, uma “comunidade de interesses comuns”.

Para aqueles que se mostram preocupados com um plano secreto da China para preencher o “vazio de poder” que a Administração norte-americana de Donald Trump está alegadamente a criar, Xi tranquilizou o público de que a iniciativa não se destina a “reinventar a roda”, tentando em vez disso articular-se com as estratégias de desenvolvimento de diferentes países.

Para alguns de diferentes convicções políticas, o projeto apresentado por Pequim pode parecer demasiado bom para ser verdade. Mas mesmo de uma perspetiva pragmática de muito curto prazo, ele merece ser acolhido, pois são necessários esforços coletivos para sustentar o crescimento e garantir que ninguém é deixado para trás, e, tal como observou António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, a iniciativa poderá facilitar “um desenvolvimento mais equilibrado, inclusivo e harmonioso”.

A ênfase na conectividade de infraestruturas por si só poderá contribuir muito para o equilíbrio do panorama económico global.

O facto de o fórum ter reunido dirigentes de dezenas de países é um claro voto de confiança na iniciativa como forma de seguir um “desenvolvimento interligado e oferecer benefícios a todos”.

Editorial

 

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