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Os criminosos de guerra do Japão foram perdoados?

Desde o segundo Governo de Shinzo Abe em 2012, o Japão tem estado constantemente a promover políticas de extrema direita para restaurar o militarismo, tendo já transitado gradualmente de uma abordagem sub-reptícia e discreta para uma atitude que vê a sua conduta como justa e correta. O país toma as suas atitudes de forma ostentosa e imponente — desde alterar os manuais de história até às mais recentes decisões inesperadas e audazes de ensinar aos jovens estudantes a manusear a baioneta e o Mein Kampf de Adolf Hitler, venerando um ditador como mentor. Sob a liderança de Abe, a ideologia de extrema direita já se instalou no Governo vigente.

No dia 21 de abril, um grupo de 95 membros do Governo japonês de vários partidos visitou o santuário Yasukuni, que é dedicado a criminosos de guerra de classe A. Embora Shinzo Abe não se tenha deslocado pessoalmente ao santuário, o primeiro-ministro enviou uma oferenda ao templo em seu nome.

Mas Abe não se deslocou desta vez ao santuário, tendo apenas enviado uma oferenda, por a Península Coreana se encontrar extremamente tensa, não querendo o primeiro-ministro provocar a China e a Coreia do Sul. Para o dirigente, é difícil expressar o desgosto em não poder estar presente durante este nobre tributo.

Um grupo de dirigentes japoneses de vários partidos foi criado em 1981, e todos os anos no dia 15 de julho — dia da vitória sobre o Japão — e nos festivais de outono e primavera visitam o santuário Yasukuni. No dia 21 de abril, a visita contou com 95 participantes, incluindo os presidentes da Câmara dos Conselheiros e da Câmara dos Representantes, assim como todos os membros do Governo de Abe. Isto transmite a todos as inclinações de direita das atuais autoridades e dirigentes do Japão. Não se trata apenas do culto da personalidade de Abe que deseja regressar ao caminho da glória do passado, mas isto revela uma atitude que é comum há muito tempo entre as elites políticas do país. O facto de Abe não ter estado presente nesta visita não é importante, pois o seu espírito está em sintonia com os outros membros do grupo. Mas ao evitar mais uma vez visitar o santuário é uma forma de enterrar a cabeça na areia.

A mais recente visita ao santuário Yasukuni contou com 95 participantes, e o aumento do número de visitantes é prova da influência cada vez maior da direita japonesa. Nos últimos anos, tem existido no Japão uma certa atitude social de auto-perdão em relação às invasões e massacres da Segunda Guerra Mundial, ocorrendo de forma particularmente marcada e evidente durante o segundo Governo de Shinzo Abe.

A atual visita originou protestos por parte da Coreia do Sul e da China. A China incitou o Japão a encarar e refletir seriamente sobre a sua história de agressão, a distanciar-se do militarismo e a ganhar a confiança da comunidade internacional através de ações concretas, enquanto a Coreia do Sul manifestou uma profunda preocupação e desgosto.

Estas visitas ao santuário Yasukuni causam frequentemente tensão, preocupação e até indignação na China e Coreia do Sul, pois por detrás destes tributos não está uma introspeção sobre os crimes de guerra, mas apenas uma tentativa de limpar o nome destes vinte e poucos criminosos de guerra consagrados no templo.

É preciso estar ciente de que estes criminosos de guerra consagrados no santuário cometeram as atrocidades mais cruéis da história da humanidade, sendo responsáveis por uma tragédia sem precedentes, e os seus crimes não recaem apenas sobre a China ou a Coreia do Sul — foram crimes contra toda a humanidade.

Ao consagrar estes criminosos no santuário Yasukuni, o Japão está a recusar admitir o seu estatuto como criminosos de guerra. A consagração e veneração nacional destes “heróis da pátria” causa, naturalmente, tensão, preocupação e indignação em duas das maiores vítimas da Segunda Guerra Mundial: a China e a Coreia do Sul. 

DAVID Chan

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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