Banca preparada para alargar serviços em renminbi - Plataforma Media

Banca preparada para alargar serviços em renminbi

A casa-mãe do Banco Nacional Ultramarino, a CGD, e o Millenium BCP acreditam na aceleração da atividade na moeda chinesa associada às relações comerciais e de investimento entre China e países de língua portuguesa.

A banca portuguesa em Macau mostra-se confiante quanto a um crescimento das atividades de trading financeiro para o mercado cambial do renminbi na região após a autorização das autoridades centrais para o estabelecimento de uma câmara de compensação de transações na divisa chinesa. O Banco Nacional Ultramarino, detido pela Caixa Geral de Depósitos, afirma ter já em marcha os mecanismos internos para expandir as operações na moeda chinesa. O Millenium BCP, cuja sucursal local não atua no retalho e cuja casa-mãe está atualmente em processo de reestruturação de capitais para a entrada da Fosun, admite vir a explorar mais mercado com os novos desenvolvimentos.
O centro de liquidação de pagamentos por via de instrumentos financeiros cambiais estará orientado para o serviço às relações comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, com um volume de trocas superior a 98 mil milhões de dólares no ano passado, e foi anunciado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, durante a passagem do responsável do Conselho de Estado por Macau, como uma das medidas de apoio à diversificação da economia local.
“Com a nossa já longa história, conhecimento e experiência nesta região, o BNU encontra-se extremamente bem posicionado para fazer a ponte, estando assim naturalmente ativo no apoio ao comércio e investimento às empresas na China, Macau e países de língua portuguesa”, entende Pedro Cardoso, CEO do banco comercial e emissor de moeda que recebeu também já autorização para a abertura de uma sucursal na ilha de Hengqin, na área sob jurisdição de Macau.
“Com o objectivo de iniciar a disponibilização por parte das unidades do Grupo CGD aos seus clientes, de produtos e serviços com base no RMB como moeda de transação para operações de comércio entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, foram já concluídos os mecanismos internos que permitem a concretização das referidas transações”, indicou Cardoso em resposta escrita ao PLATAFORMA MACAU.
“Estamos, neste momento, preparados para oferecer aos clientes do grupo, nomeadamente nos países de língua portuguesa, um leque diversificado de produtos em renminbi, no sentido de apoiar os seus negócios com a China: pagamentos, transferências, operações financeiras, entre outras”, afirmou.
A instituição não revela dados relativos ao volume de operações denominadas na moeda chinesa, nem respetiva proporção de crescimento no último ano. “O potencial de desenvolvimento na utilização transfronteiriça do renminbi entre a China e os países de língua portuguesa é muito amplo, dado o atual nível das trocas comerciais”, admite no entanto Pedro Cardoso.
O Millenium BCP é outra das instituições financeiras portuguesas com interesse declarado na expansão da atividade na moeda chinesa, apoiada pelas relações comerciais e de investimento sino-lusófonos, seja pela via de facilitação de pagamentos em renmibi, seja pela concessão de financiamento na mesma divisa.
“O apetite pelo renminbi tem felizmente aumentado no último ano. Neste momento, temos já um conjunto de contas em renminbi abertas junto de bancos chineses por forma a podermos potenciar este fluxo, especialmente de trade e de financiamento, na moeda chinesa”, indicou o responsável em declarações ao PLATAFORMA MACAU.

O grupo Fosun deverá adquirir 16,7 por cento do capital do banco num investimento de até 259 milhões de dólares (2,07 mil milhões de patacas) cujas negociações se estendem para lá de 9 de Novembro – data em que o acionistas do Millenium BCP se reúnem em assembleia-geral.

“Neste momento, temos essas situações fundamentalmente baseadas nas tesourarias dos nossos bancos comerciais. Pode ser que num futuro, até com uma maior ligação a investidores chineses, possamos vir a concentrar isso em Macau. Não tem sido essa a estratégia, o que não quer dizer que não possa ser no futuro”, explicou Nuno Amado, avançando que a ideia é continuar a reforçar a presença na região. 

A liberalização do renminbi no mercado offshore de Macau tem vindo a realizar-se gradualmente. Em 7 de Março deste ano, 28 instituições financeiras da região foram autorizadas a participar no sistema de liquidação em tempo real de pagamentos em renminbi, envolvendo operações de câmbio e transferências interbancárias.

O novo centro de compensação permitirá a contratualização de pagamentos em moeda chinesa entre empresas visando a redução do risco cambial. Em Macau, as operações de compensação abrangem atualmente o dólar de Hong Kong e a moeda local, a pataca.

De acordo com as estatísticas financeiras da Autoridade Monetária de Macau, nos primeiros oito meses deste ano, foram liquidados montantes num valor superior a 181 mil milhões de patacas (22 mil milhóes de dólares) em operações de compensação envolvendo a moeda de Hong Kong, com mais de 30 mil operações mensais realizadas pelos bancos do território.  O valor total representa uma quebra de 20,7 por cento face ao volume de dólares de Hong Kong liquidado no mesmo período de 2015, equivalente a mais de 228 mil milhões de patacas (27 mil milhões de dólares).

Por seu turno, o volume de operações de liquidação envolvendo a divisa local, até Agosto, foi superior a 119 mil milhões de patacas (14.5 mil milhões de dólares), com mais de 1,2 milhões de transações. As operações em pataca registaram também uma quebra de 2,5 por cento, contra os primeiros oito meses de 2015, para um valor de 119,4 mil milhões de patacas (14.7 mil milhões de dólares). 

Maria Caetano

ED#123

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