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Reduzir a capacidade excedentária

O governo prometeu no dia 9 acelerar os esforços para reduzir a capacidade excedentária de produção, uma tarefa que está no topo da agenda económica central. Não é a primeira vez que as autoridades centrais expressam a sua determinação em fazer avançar a formidável tarefa.

Mesmo assim, os responsáveis políticos devem ter em conta as lições anteriores relativamente à restruturação empresarial para assegurar que a redução da capacidade excedentária não produz efeitos colaterais indesejáveis como anteriormente.

Xia Nong, membro superior da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o mais elevado órgão regulador de mercado da China, afirmou que no setor siderúrgico 47 por cento da capacidade excedentária visada foi reduzida, e o ritmo será acelerado nos próximos meses. Isto indica um aumento da pressão para a redução da capacidade, provocando preocupações crescentes de que o governo poderá não conseguir cumprir uma das tarefas-chave que definiu para este ano.

Esta não é a primeira vez que o país tenta reduzir a capacidade de produção excedentária. No princípio deste século, a China deu um passo semelhante devido ao grave excesso de oferta em setores como o cimento, aço e alumínio.

Contudo, após a chegada da crise financeira global de 2008, a China lançou um enorme pacote de estímulo de forma a ancorar a economia. Embora tenha desempenhado um papel decisivo na estabilização do crescimento, grande parte do estímulo incidiu sobre os ativos fixos e a construção. A produção de aço e cimento da China aumentou drasticamente nos anos seguintes, à medida que a economia em expansão fazia aumentar a procura por produtos relevantes e, em resposta à crescente procura, os governos locais encorajavam uma maior produção.

Porque é que os responsáveis políticos não conseguiram resolver esse problema? Uma das principais razões é o facto de a China permanecer uma economia mista, com os governos a desempenhar um importante papel na elaboração e implementação de planos de desenvolvimento económico. Muitas das principais restruturações empresariais são na verdade incentivadas por membros do governo, os quais, com o intuito de fazer crescer o PIB local e melhorar o seu historial de desempenho pessoal, fazem decisões que não se adequam necessariamente à situação económica, dando origem a problemas financeiros nas empresas em questão.

Uma solução para este problema consiste no aprofundamento das reformas de mercado por parte do governo central. Os principais líderes da China expressaram em muitas ocasiões a sua intenção de fazer o mercado desempenhar um papel “decisivo” na alocação de recursos económicos. Para o conseguir, as forças de mercado devem ser mais respeitadas nas decisões sobre fusões e aquisições empresariais, e o papel do governo deve ser o de assegurar uma ordem de mercado favorável à competição.

Dada a importância primordial da redução da capacidade excedentária para a restruturação económica global da China, vale a pena dedicar mais tempo para fazer avançar a iniciativa de uma forma mais equilibrada e orientada para o mercado, de modo a que hajam menos choques não só no mercado de trabalho mas também na sustentabilidade de longo prazo da gestão empresarial. 

Xin Zhiming

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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