Reino Unido altera abordagem no Turquestão Oriental? - Plataforma Media

Reino Unido altera abordagem no Turquestão Oriental?

O Ministério do Interior do Reino Unido afirmou recentemente que a decisão do governo britânico de classificar o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental como uma organização terrorista foi “feita com base em provas sólidas e uma deliberação cuidadosa”.

O Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, também conhecido como MITO, corresponde a um dos “três males” da China, sendo uma organização terrorista violenta, e é um dos grupos terroristas que o governo chinês pretende “combater determinadamente”.

O governo chinês já tinha comunicado anteriormente à comunidade internacional as atividades desta organização terrorista, para além de apelar ao combate ao grupo, e também as Nações Unidas tinham já em setembro de 2002 acrescentado o grupo à lista de organizações terroristas internacionais. Contudo, o Reino Unido não seguiu os mesmos passos, principalmente porque o governo britânico sempre se mostrou bastante insatisfeito relativamente à situação dos direitos humanos na China. Por exemplo, há duas semanas atrás, a Comissão dos Direitos Humanos do Partido Conservador do Reino Unido divulgou um novo relatório sobre os direitos humanos na China, afirmando que desde que Xi Jinping tomou o poder a situação dos direitos humanos no país piorou marcadamente.

O relatório, intitulado “O Momento Mais Negro: Combate aos Direitos Humanos na China 2013-2016”, afirma ter analisado de vários ângulos a questão dos direitos humanos na China nos passados três anos: a detenção e perseguição de defensores dos direitos humanos, o uso de tortura, o sequestro e aprisionamento de livreiros em Hong Kong, a colheita de órgãos forçada, a contínua detenção de dissidentes, bloguistas e jornalistas, as confissões televisivas forçadas e a contínua repressão no Tibete, assim como a deterioração da situação política em Hong Kong. O relatório foi lançado por Chris Patten, ex-governador de Hong Kong, que afirmou ter sido realizada uma investigação global e exaustiva sobre o historial cada vez mais triste dos direitos humanos na China, com dezenas de testemunhos prestados à comissão de direitos humanos, incluindo o famoso advogado de direitos humanos Teng Biao, o ativista cego de direitos civis Chen Guangcheng, o líder pró-democrático do movimento dos guarda-chuvas, Joshua Wong, e Anastasia Lin, a Miss Mundo Canadá de 2015 nascida na China, que devido à sua atividade profissional relacionada com os direitos humanos foi proibida de entrar na China e participar nas finais do concurso Miss Mundo.

Fiona Bruce, presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Partido Conservador, afirmou que estes testemunhos demonstram sem qualquer exceção que a situação dos direitos humanos na China após 2013 é a pior desde há vários anos, talvez a pior desde o incidente de Tiananmen de 1989, tendo atingido um nível “sem precedentes”. A comissão expressou preocupação relativamente ao desenvolvimento de relações amigáveis entre os governos britânico e chinês e apelou ao governo do Reino Unido a que seja feita uma reavaliação da política relativa à China. O relatório refere: Perante este sério agravamento da situação dos direitos humanos, o governo britânico mantém uma abordagem praticamente silenciosa em ocasiões públicas, o que não é favorável a nenhuma das partes.

O Reino Unido ignorou sempre que a China apontou o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental como “organização terrorista violenta”, talvez por acreditar que a China faz uso desse pretexto para atacar os seus dissidentes. Por isso, durante os últimos dez anos, o governo britânico não incluiu o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental na lista de organizações terroristas nem seguiu atentamente as suas atividades. Apenas em julho deste ano foi o grupo acrescentado à lista de organizações terroristas, lista essa que contém 70 grupos terroristas interditos pelo governo britânico com base no “Terrorism Act 2000”. Embora o Ministério do Interior do Reino Unido ainda não tenha esclarecido as razões e detalhes da inclusão, a lista descreve o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental como sendo uma organização terrorista e separatista fundada em 1989 na China Ocidental, cujo objetivo consiste em realizar atividades separatistas no noroeste da China.

Em mais de dez anos o governo do Reino Unido nunca incluiu o Movimento do Turquestão Oriental na lista de grupos terroristas, fazendo-o apenas após o Brexit e após a Comissão dos Direitos Humanos publicar um relatório criticando ferozmente a situação dos direitos humanos na China. Se excluirmos o motivo de que o Reino Unido quer fortalecer a sua cooperação económica com a China após abandonar a União Europeia, fazendo por isso algumas cedências na oposição ao separatismo e aos grupos terroristas violentos, apenas podemos acreditar que o governo britânico está a agir em resposta aos recentes ataques terroristas na Europa.

DAVID CHAN

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