China é campeã de inovação entre países emergentes - Plataforma Media

China é campeã de inovação entre países emergentes

Em breve, o país deverá passar a pertencer ao grupo das 25 economias mais avançadas na aposta no conhecimento

AChina deverá num futuro próximo estar entre as 25 economias mais avançadas do mundo em termos de inovação, depois de pelo quarto ano consecutivo manter a 29a posição no ranking dos países com melhores resultados neste sector. A expectativa é manifestada no relatório do Índice Global de Inovação (GII, na sigla inglesa), produzido pelo instituto internacional de gestão INSEAD em colaboração com a Faculdade de Gestão da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual.

O documento, publicado na passada semana, destaca o país como um dos que mais investimento tem feito na promoção da inovação, superando todas as restantes economias do grupo dos países de rendimentos médios-elevados e equiparando-se, praticamente, às economias mais desenvolvidas. Segundo os autores do GII, a China lidera o grupo dos países que investem na inovação pelo menos mais dez por cento do que os parceiros em igual situação económica – critério a partir do qual são considerados “campeões de inovação”. “O crescimento com base na inovação deixou de ser prerrogativa dos países com rendimentos elevados. Os países em desenvolvimento cada vez mais concebem políticas destinadas a aumentar a sua capacidade de inovação”, constata o relatório que sublinha a importância dos investimentos neste sector num período global de abrandamento do crescimento. A promoção de infraestruturas e tecnologia é considerada “crítica” perante crescimentos inferiores ao esperado nos Estados Unidos, Japão e alguns países da União Europeia, e abrandamento em países emergentes como a China.

Em 2015, a economia chinesa mantém-se fixa na maioria dos rankings deste estudo anual:estáno29olugardatabela global–uma posição à frente de Portugal – que é liderada pela Suíça; segura a liderança entre os países emergentes; ocupa a 7a posição em termos regionais; e é sexta em termos da eficiência do investimento que faz em investigação e ciência.

Mas, por outro lado, os indicadores parcelares do GII mostram melhorias acentuadas em vários domínios. A China sobe este ano para a 91a posição no indicador de capacidade institucional (legislação, sobretudo) e melhora também a classificação ao nível do capital humano e investigação, passando à 31a posição. Em termos de infraestruturas, promove-se em sete lugares passando ao 32o lugar do ranking. Melhora também no que diz respeito à sofisticação dos negócios no sector da inovação, passando ao 31o lugar mundial, e no volume das suas produções criativas – aqui, um ponto fraco apontado ao país no GII de 2014 – sobe cinco posições para o 54o lugar.

Em sentido contrário, os maus resultados são obtidos no capítulo da sofisticação do mercado, relacionada com a abertura deste e com a facilidade de acesso a crédito, onde o país cai cinco lugares para a 59a posição. A China perde também este ano o segundo lugar mundial em termos de produções de conhecimento e tecnologia, caindo uma posição.

Apesar destes pontos fracos, o desempenho geral permite antecipar progressos. “A China (29a) e a Malásia (32a), do grupo de rendimentos médios-elevados, praticamente mimetizam o desempenho [das economias] de terceiro escalão do grupo de rendimentos elevados, aumentando a probabilidade de se juntarem num futuro próximo aos primeiros 25 lugares do ranking”, afirmam os autores do GII 2015.

Atrás da China, no grupo das economias que mais investem em inovação por comparação com outras do mesmo nível de desenvolvimento, estão a Índia, a Jordânia, o Quénia, a Moldávia, a Mongólia, a Malásia e o Vietname.

“Em termos médios, o fosso tecnológico entre países desenvolvidos e em desenvolvimento está a encurtar”, afirma o documento do INSEAD, fazendo notar também que os países com melhores desempenhos são aqueles que, mais do que aumentar os níveis de adopção de tecnologia, têm apostado na capacidade interna de gerar inovação.

No caso chinês, o país passou de níveis de investimento em 0,4 por cento do PIB (2004) para gastar com inovação 1,9 por cento da riqueza gerada anualmente (dados de 2012). Esta evolução aconteceu num período em que o produto interno bruto do país quadruplicou, é salientado no relatório. Há três anos, instituições públicas e entidades privadas chinesas investiam um bilião de yuans em ciência e investigação.

De acordo com dados do relatório, que são objecto de análise num capítulo a cargo do diretor da Escola de Inovação e Empreendedorismo da Universidade de Pequim, Cheng Dongmin, os governos locais chineses participavam, em 2012, em 50 por cento do esforço público com a inovação. No mesmo ano, o investimento industrial atingia uma quota de 80 por cento no esforço do sector privado.

O aumento continuado do número de patentes registadas no país, com uma média de 17,5 por cento de crescimento anual, é outro dos bons indicadores apontados, ao qual se junta uma subida nas receitas geradas com a criação de novos produtos (10 triliões de yuans em 2013). Um dos aspectos em que a China mais se demarca é porém na formação de quadros, com mais de seis milhões de novos formados em áreas científicas pelas universidades do país em 2013. A política de cativação de quadros qualificados emigrados (com programas específicos para o seu regresso e aumento do nível salarial nas universidades) permitiu também ao país recuperar mais de 200 mil doutorados e mestres, entre outro pessoal chamado à docência e investigação.

Em termos da política nacional, o Governo Central estabeleceu para si o objectivo de tornar o país líder em inovação até 2020. Está ainda a 28 lugares de distância do topo do ranking. “Alcançar este objectivo depende da continuação das reformas políticas para melhorarem o equilíbrio de relações entre o Governo e as forças de mercado; de estabelecer um ecossistema de inovação mais integrado; de fomentar um sistema legal e regulatório que encoraje o investimento na inovação e empreendedorismo em todos os sectores; e de promover concorrência justa e aberta entre empresas privadas, estatais, e estrangeiras”, defendem os autores do GII.

Maria Caetano

25 DE SetembRo 2015

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