Mei Xinyu * - MUDANÇA NO PORTO DA GRÉCIA NÃO É RAZÃO PARA ALARME - Plataforma Media

Mei Xinyu * – MUDANÇA NO PORTO DA GRÉCIA NÃO É RAZÃO PARA ALARME

 

 

A 27 de janeiro, no mesmo dia da tomada de posse do novo governo grego, foi travada a venda de 67% das ações do porto de Pireu, o maior do país. Uma vez que o grupo chinês COSCO era o mais forte concorrente na aquisição, e visto que o porto seria o ponto de começo para a China desenvolver a planeada “via de ligação terrestre e marítima China-Europa”, esta mudança inesperada causou surpresa e preocupação, não só no mercado chinês mas também no mercado grego e no mercado internacional. Segundo muitas opiniões, o investimento do grupo COSCO na Grécia poderá estar prestes a afundar. No entanto, estas preocupações, embora compreensíveis, são desnecessárias.

Conhecido como o governo “anti austeridade”, esta nova administração grega opõe-se a vários planos de austeridade dos governos anteriores assinados com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, dos quais a venda de 67% das ações do porto de Pireu é apenas um. Esta não é uma medida contra o grupo COSCO, uma vez que ele é apenas um dos 5 potenciais compradores no processo de concurso público. Esta decisão não significa necessariamente um grande prejuízo para o grupo, uma vez que o concurso público não chegou a ser aberto. O grupo chinês tinha já em 2008 investido 800 milhões de euros no porto, pelos quais recebeu um período de concessão de 35 anos nos cais 2 e 3, e está agora a investir 400 milhões no projeto de expansão do cais 3, e a venda das ações não irá afetar a concessão, que é mutualmente benéfica. Desta forma, estas recentes reviravoltas não devem ser causa de preocupação.

Além disso, é pouco provável que esta decisão do novo governo grego se mantenha por muito tempo. O governo opõe-se essencialmente a certas medidas de redução dos gastos do país e de ajuste da estrutura económica que deem origem a mais dificuldades para o povo grego. Uma vez que o concurso público para a venda das ações significa um aumento das receitas para o país, ele não se inclui nesse grupo de medidas a que o governo se opõe.

Independentemente do modo como o governo grego decida lidar com as medidas de austeridade, um governo não pode fugir às suas responsabilidades no campo das receitas fiscais. O plano de austeridade destina-se a reduzir a necessidade de receitas, e quanto mais o governo se opuser ao programa, mais necessitará de procurar e organizar outras fontes de receitas para apoiar as despesas fiscais. Ao mesmo tempo, uma vez que o governo se opõe aos planos de austeridade anteriormente estipulados entre o antigo governo, a UE e o FMI, as fontes de capital irão praticamente todas desaparecer devido ao ambiente de instabilidade, e a necessidade de procurar novas fontes tornar-se-á ainda maior. A venda dos portos de Pireu, Tessalónica ou outros poderá trazer um aumento significativo das receitas para a Grécia e ajudá-la a ultrapassar as crescentes dificuldades que enfrenta. Pode o governo da Grécia continuar a ignorar esta questão? O programa de resgate termina a 28 de fevereiro e as consequências do incumprimento do pagamento da dívida não são viáveis para a economia grega, e também não serão positivas para a autoridade e estabilidade do novo governo.

A venda das ações do porto de Pireu, se concluída, não só trará à Grécia receitas de milhares de milhões de euros mas também largas quantias de investimento em ativos fixos, que mais do que dinheiro significam criação de emprego. Um estudo do Banco Nacional da Grécia revelou que o projeto do porto de Pireu, incluindo os cais 2 e 3, poderá aumentar O PIB grego em 2,5% e criar cerca de 125.000 postos de trabalho. Não conheço detalhadamente os históricos de crescimento, emprego e impostos das outras quatro empresas licitantes, mas o grupo COSCO tem obtido resultados positivos na sua concessão de 35 anos dos cais 2 e 3, sendo que de 2008 a 2014 se verificou um aumento na circulação de mercadorias, passando dos 430.000 contentores para os 3,16 milhões, 80% dos quais devem-se ao grupo COSCO. O projeto de expansão do cais 3, com início no dia 22, poderá vir a aumentar este número ainda mais, e irá criar mais de mil novos postos de trabalho, para além de possuir as atrativas perspetivas de desenvolvimento que advêm do projeto da “via de ligação terrestre e marítima China-Europa” apoiado pessoalmente pelo Primeiro-ministro Li Keqiang. Com isto em mente, o governo grego não tem razões para suspender a aquisição durante muito tempo, e ainda menos para não tomar partido do acordo feito há 7 anos com o grupo COSCO. Segundo o ministro-adjunto da Marinha Mercante Theodoros Dritsas, “O negócio com o grupo COSCO será revisto tendo em vista os interesses do povo grego.”, provando que a continuação e desenvolvimento da cooperação com o grupo COSCO é a solução mais favorável para o povo grego.

Desta forma, estes imprevistos não devem ser razão para preocupação por parte do governo chinês ou do grupo COSCO, nem justificam reações apressadas ou um aumento das licitações. A China sempre manteve boas relações com a Grécia. Quando a guerra civil eclodiu na Líbia em 2011, a Grécia ofereceu à China toda a ajuda possível para evacuar do país 30 mil dos seus cidadãos, desempenhando um papel essencial na sua proteção que o nosso país não esqueceu. Isto também demonstra que não deve haver problemas entre os dois países que sejam impossíveis de solucionar, e devemos olhar com confiança os projetos de cooperação entre a China, a Grécia e os Balcãs. Podemos fortalecer a comunicação com o novo governo da Grécia e tornar claro que a venda das ações do porto de Pireu não entra em conflito com a sua posição anti austeridade, com confiança que o novo governo irá por fim tomar uma perspetiva económica objetiva e reiniciar o concurso de venda de ações. Desde o aumento em 2007 das taxas de imposto no Ecuador para as companhias petrolíferas estrangeiras em 99%, até às políticas de restrição do investimento estrangeiro na exploração mineira da Mongólia nos últimos anos, as empresas chinesas no estrangeiro têm-se defrontado com múltiplas situações adversas. No entanto, as sociedades e governos dos países em questão acabaram por alterar as suas posições irrealistas, sendo que nestes casos quanto mais tarde maior será o preço a pagar. A conclusão das recentes reviravoltas não será exceção. No que diz respeito ao nosso país e às nossas empresas, nós já possuímos a experiência e capacidade de ultrapassar este tipo de imprevistos.

 

*Investigador do Instituto de Cooperação Económica e Comércio Internacional no Ministério do Comércio da China

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