O “REGRESSO A CASA” DA GUINÉ EQUATORIAL - Plataforma Media

O “REGRESSO A CASA” DA GUINÉ EQUATORIAL

 

O Governo da Guiné Equatorial considera a entrada do país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como um “regresso a casa” e pretende agora chegar ao Fórum PALOP e à UCCLA.

 

O ministro dos Assuntos Exteriores da Guiné Equatorial, Agapito Mbo Mokuy, disse, em entrevista à agência Lusa, que o país foi colonizado mais tempo por Portugal do que por Espanha, pelo que os laços entre a lusofonia e a Guiné Equatorial são “muito fortes e históricos”.

“Hoje em dia, integrar a CPLP é somente voltar a casa”, completando uma “realidade histórica”, salientou Agapito Mbo Mokuy.

O país foi descoberto no século XV por navegadores portugueses, que fundaram a atual capital, Malabo, na antiga ilha de Fernão Pó (atual Bioko). Em 1777, o território que compõe a atual Guiné Equatorial foi entregue à Coroa espanhola no âmbito do Tratado de São Ildefonso, permitindo a regularização das fronteiras interiores do Brasil, que estavam muito além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494.

No processo de adesão à CPLP, a Guiné Equatorial foi obrigada, entre outras condições, a ter o português como língua oficial e está em curso um programa de ensino no país.

Agapito Mbo Mokuy, que está já a ter aulas de língua portuguesa, mostrou-se confiante no sucesso do ensino, considerando que “o espanhol é muito similar ao português e, por isso, será muito fácil aprender”.

No entanto, a “aprendizagem do português não tem que ser o único objetivo” na entrada da Guiné Equatorial, que aposta mais na “integração económica e política dos países da CPLP”.

“É verdade que estamos a aprender o idioma, mas o que temos como objetivo final é esta integração económica e política” dos países da CPLP que “usam o português como veículo e idioma de comunicação”.

O país introduziu o português, a par do espanhol (o idioma mais vulgar) e do francês, como línguas oficiais, mas Agapito Mbo Mokuy preferiu valorizar as relações políticas e as novas oportunidades económicas que se abrem.

“O idioma não é um fim em si, mas apenas um veículo de comunicação”, disse.

A entrada do país na CPLP corresponde a uma estratégia de abertura do Presidente, Teodoro Obiang Nguema, disse o ministro: “Quando um país fala muitos idiomas, este país tem muito mais vantagens que os países que não falam idiomas”.

Por isso, “o governo já tem programas tanto a nível de ensino geral como ao nível dos ministérios para que todos possam falar português” e, no final do processo, “será uma vantagem porque o equato-guineano terá um idioma mais”, explicou o ministro.

Em fevereiro, os chefes da diplomacia da CPLP decidiram recomendar a entrada da Guiné Equatorial na organização, que foi decidida pelos Chefes de Estado e de Governos na cimeira de Díli, que teve lugar na quarta-feira.

 

ALARGAR INFLUÊNCIA

Agapito Mbo Mokuy, disse, em entrevista à Lusa, que vai pedir a entrada no Fórum PALOP, depois de assegurar a entrada CPLP.

“Queremos integrar-nos na CPLP e nos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]”, disse o governante, embora salientando que este alinhamento não significa que o país se queira afastar de outras potências regionais.

“Não se tem que se separar África pelos idiomas dos países colonizadores. África é um continente de países irmãos” e “tentar agrupar os países africanos com base nos seus idiomas só nos recorda o período colonial e hoje em dia nós já não estamos no período colonial”, sustentou.

Agapito Mbo Mokuy defende que “os países africanos são livres e independentes e cooperam entre si” e os “idiomas herdados da colonização permitem fazer trocas”, reafirmando que a aproximação ao bloco lusófono não coloca em causa as relações com os países vizinhos.

“Gabão e Camarões são países irmãos, se falamos o mesmo idioma colonial, pouco importa”, disse.

No caso da lusofonia, “a maioria dos países da CPLP são africanos e são países irmãos que têm que se unir”, explicou.

O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Vítor Ramalho, também disse recentemente que Malabo, capital da Guiné Equatorial, quer aderir à organização, o que deverá ser decidido em 2015 pelas 40 cidades lusófonas que a integram.

 

“DIFAMAÇÃO”

O ministro dos Assuntos Exteriores da Guiné Equatorial alega que o país tem sido vítima de “difamação e propaganda barata”, respondendo às queixas de violações dos direitos humanos.

“A Guiné Equatorial foi vítima de uma difamação e de uma propaganda barata sobre o que se está realmente a passar no país”, disse, considerando que o problema tem sido de comunicação e não de atentados aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Em resposta às acusações de violações de direitos humanos, feitas por várias ONG, como a Human Rights Watch, e alguns países, como os Estados Unidos, Agapito Mbo Mokuy reconhece que “uma das debilidades do [seu] Governo foi tentar vender a imagem da Guiné Equatorial no exterior”.

“Na Guiné Equatorial hoje em dia respeita-se mais os direitos humanos que em muitos países e ninguém fala desses países”, afirmou ao defender que é necessário “perceber a história” do país antes de se fazer “acusações injustas”.

Em 1979, o atual Presidente chegou ao poder através de um golpe militar. O ministro sublinha que o país tem 13 partidos políticos e que  “existe um desenvolvimento de infraestruturas em todo o país, um tipo de progresso que não existe em muitos países”.

“De onde sai este dinheiro? Sai dos recursos económicos do petróleo que tem a República da Guiné Equatorial”, resumiu, acusando a oposição de “trabalhar com certos países” e de ser responsável pela má imagem do país.

“Se em Portugal, no passado, não queriam apoiar a integração da Guiné Equatorial [na CPLP] foi por estas influências e pressões um pouco infundadas. Mas agora, as autoridades [portuguesas] estão a ver de perto o desenvolvimento económico, político, social e cultural e já se deram conta de que existe uma injustiça internacional porque o que se está a dizer fora não coincide com o que se vive hoje em dia” no país, acrescentou.

Para o ministro, a “comunidade internacional tem de fazer justiça ao Presidente da República e ao Governo da Guiné Equatorial e felicitá-los” pelo trabalho feito.

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