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Empresários e associações traçam um plano do que poderá vir a ser o novo Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa em Macau

 

Para já, existe um nome: Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa. E uma morada: O edifício da antiga sede do Gabinete de Comunicação Social, no coração da cidade – Largo de São Domingos, número 1 A-C, Macau.

Mas pouco mais se sabe sobre o futuro deste centro de produtos lusófonos, anunciado em novembro do ano passado pelo Governo Central durante a Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Este novo espaço está integrado num projeto que prevê ainda a criação de outros dois polos estratégicos para impulsionar as relações entre Pequim e a Lusofonia: o Centro de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas e o Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial.

Já com a sede definida, o Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa deverá ser o primeiro a avançar. “Neste momento, o Governo de Macau está a preparar um plano estratégico para a operação”, responde, por email, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau.

Mas e como vai funcionar? E quem poderá participar? Empresas? Retalhistas? Será este o espaço adequado? Como podem beneficiar os empresários de Macau e da Lusofonia com o projeto?

O Plataforma Macau tentou perceber entre empresários e associações de Macau e Portugal qual poderá ser o futuro de um edifício que já esteve à beira da demolição.

 

“GOVERNO NÃO DEVE SER MAIS UM RETALHISTA”

 

Ponto de partida: perceber qual é a missão deste novo projeto comercial. O Presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML), Eduardo Ambrósio, defende uma solução mista que, por um lado, estabeleça uma ligação entre empresas, e, por outro, entre empresários e consumidores. “À semelhança da Feira Internacional de Macau (MIF), pode haver um espaço de venda a retalho e outro onde sejam feitas encomendas”, explica.

Mas, para que isso aconteça, o “edifício de cinco andares não chega”, considera o responsável. “Devíamos estar a falar em espaços como grandes superfícies.”

Já o representante da marca de café Delta em Macau, Carlos Fonseca, é de outra opinião. Deve distinguir-se alhos de bugalhos, o que é o mesmo que dizer que, neste projeto, não se deve misturar o setor do retalho com o da distribuição. “No caso de integrar um modelo B2C, (entre empresas e consumidores), colocam-se grandes desafios no reforço do stock e seria necessária uma grande logística, o que naquele local é extremamente complicado. Estaríamos quase a equiparar o centro a uma grande área de venda, à semelhança das grandes superfícies.”

O representante da Delta deixa ainda um alerta: “O Governo não deve ser mais um retalhista. Não é essa a filosofia de um governo, que deve ajudar os negócios a crescer e não deve competir com eles.”

Carlos Fonseca acredita na criação de um ponto de encontro empresarial (B2B, empresas para empresas) onde os potenciais investidores consigam chegar aos produtos portugueses, brasileiros ou de qualquer outro país da Lusofonia sem que para isso tenham de sair de Macau. “Estamos a assumir que esta é uma forma de reduzir o problema logístico, que tem de ser compensada com a sensação de que o empresário vai ali encontrar a resposta às suas dúvidas de uma forma que só encontraria diretamente na fábrica ou no produtor.”

 

EMBAIXADOR COMERCIAL

 

Para que o empresário sinta que esta viagem (cá dentro) vale a pena, há investimentos a fazer na preparação de amostras, de vídeos ou de apresentações técnicas. Para Carlos Fonseca, “só o produto não fala por si” e o mais urgente é uma aposta na formação de funcionários qualificados que conheçam o valor dos produtos expostos e que possam responder a questões relacionadas com as certificações ou o reforço dos stocks.

“Macau pode criar aqui uma nova figura – a de Embaixador Comercial”, nota o responsável. “Isto terá uma vantagem enorme para quem expõe e uma vantagem enorme para a RAEM, porque pode desenvolver talentos nesta nova área do casamento empresarial.”

O empresário macaense Jorge Valente sublinha ainda a necessidade de apostar mais no marketing. No negócio dos vinhos há cerca de três anos, o jovem empresário acredita que o centro deve ter a capacidade de atrair potenciais interessados. “Quando existe muita oferta, o consumidor acomoda-se e não vai além do necessário”, explica.

 

PRODUTOS VENCEDORES

 

Marcas estabelecidas e conhecidas do mercado. São estes tipos de produtos que devem estar nas prateleiras do novo Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, consideram os analistas consultados pelo Plataforma Macau.

“Produtos vencedores”, sublinha Carlos Fonseca. “Se estiverem disponíveis produtos com uma imagem de marca fraca e forem difíceis de comercializar, então o espaço perde o impacto.”

O português chama ainda a atenção para a necessidade de planear por andares a oferta dos vários tipos de produtos: “Há uma grande diferenciação de tipos de produtos, como por exemplo aqueles que estão há muitos anos no mercado e os que pertencem a uma nova geração, como os produtos biológicos.”

Também o presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos, Eduardo Ambrósio, propõe produtos portugueses de marca forte do ponto de vista comercial. “A cerveja portuguesa é muito apreciada na China, mas tem ainda muita falta de publicidade.”

A entrada de Portugal e de produtos lusos neste projeto é uma oportunidade de poder estar “mais visível”, considera Alberto Carvalho Neto, Presidente da Associação de Jovens Empresários Portugal – China. “Quem não está presente, é facilmente esquecido.”

 

 

Catarina Domingues

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