BRASIL VENDE SERVIÇOS EM PEQUIM - Plataforma Media

BRASIL VENDE SERVIÇOS EM PEQUIM

 

A terceira Feira Internacional de Comércio e Serviços de Pequim contou com a presença de 117 países e regiões. Mais de 28 mil profissionais participaram no evento, que decorreu no passado fim de semana, no Centro de Convenções do Parque Olímpico. Foram celebrados 236 protocolos comerciais, para um volume total de negócios de 81,830 milhões de dólares. O Plataforma Macau falou com empresários do Brasil e da China continental.

 

Depois da assinatura do acordo-quadro estratégico entre a Confederação Nacional de Serviços do Brasil e o Vale Financeiro de Xangai, empresas chinesas e brasileiras puseram mãos à obra e começaram a organizar uma série de atividades de intercâmbio. Um primeiro grupo de representantes de empresas de Xangai espera poder visitar o Brasil em agosto para fazer uma avaliação no terreno de oportunidades de negócio, como revelou ao Plataforma Macau o Diretor-Geral Adjunto do Vale Financeiro de Xangai, Xia Zeming.

No evento do passado fim de semana, a Confederação Nacional de Serviços do Brasil e o Vale Financeiro de Xangai chegaram a um acordo de cooperação e intercâmbio nas áreas financeira, tecnológica e de prestação de serviços. No que diz respeito ao setor financeiro, os representantes chineses e brasileiros acordaram proceder a uma interação e troca de recursos, apoiando empresas destes dois países a iniciar atividades económicas e comerciais no outro país. Prevê-se que esta parceria contribua anualmente para um volume de negócios superior a 10 mil milhões de yuans (cerca de 1,6 mil milhões de dólares norte-americanos).

Como países-membros do grupo político de cooperação BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), as trocas comerciais entre Pequim e Brasília têm vindo a aumentar. A China já ultrapassou os Estados Unidos da América como maior parceiro comercial do Brasil. No entanto, a área de troca de serviços foi responsável apenas por 1,5% desse volume de negócios. A cooperação e desenvolvimento no setor dos serviços entre os dois países reveste-se por isso de grande importância, como realça Xia Zeming: “Esta parceria foi uma escolha comum de ambas as partes e é também um exemplo do palco estabelecido pelos governos onde as empresas podem atuar.”

Por seu lado, o presidente da Confederação Nacional de Serviços, Luigi Nese, realça a importância deste acordo: “Estamos a estabelecer uma plataforma de promoção da cooperação da indústria de serviços financeiros dos dois países, que é também um passo na cooperação estratégica entre as empresas chinesas e brasileiras.”

Segundo Nese, o Brasil não só desenvolveu a indústria das tecnologias da informação, como também detém o sistema bancário mais avançado do mundo. Através deste acordo, as empresas do Brasil e da China podem partilhar as suas experiências no campo da informatização financeira. “Este acordo também se adapta à crescente necessidade de serviços financeiros da China”, afirma.

Outro brasileiro, o vice-presidente da Confederação Nacional de Serviços, Gilberto Bertevello, contou ao Plataforma Macau que desde a primeira edição da Feira Internacional de Pequim, em 2012, os empresários do Brasil aguardavam com entusiamo a cooperação com o Vale Financeiro de Xangai.

A Confederação Nacional de Serviços do Brasil assinou ainda um acordo de cooperação com o Centro de Promoção de Trocas Tecnológicas e com o Comité de Comércio, Tecnologia e Desenvolvimento Industrial de Shenzhen.

Presentemente, as empresas financeiras do Brasil já mostram interesse neste acordo-quadro. Na véspera de assinar a parceria, o Banco do Brasil abriu em Xangai a sua primeira sucursal. Esta é também a primeira instituição bancária da América Latina em território chinês.

 

Porta para os adeptos de futebol

 

O Campeonato do Mundo de Futebol está prestes a dar o pontapé de saída. O governo brasileiro estabeleceu uma política de vistos mais conveniente, de forma a facilitar a vida aos adeptos chineses que queiram ir ao Brasil ver a competição.

Os turistas detentores de um bilhete para a Copa do Mundo não precisam de carta de convite, podendo dirigir-se à embaixada e solicitar um visto, explicou o presidente da Asia Business Consulting Brasil, Daniel Chih.

Embora a distância geográfica entre os dois países e o número de bilhetes possa refrear o entusiasmo dos turistas, no entanto, em comparação com os destinos turísticos tradicionais da Europa e América do Norte, a América Latina ainda detém um poder atrativo considerável. Daniel Chih acredita que a atmosfera da cultura futebolística do Brasil ainda faz com que os turistas sejam atraídos por este país.

Esta é já a terceira edição consecutiva que o Brasil participa na Feira Internacional de Pequim. Brasília estabeleceu uma plataforma de contato entre as empresas de serviços e os adeptos de futebol, de modo a que os amantes chineses da modalidade possam com mais facilidade ir ao Brasil assistir ao campeonato.

Na feira de Pequim, a Escola de Futebol do São Paulo organizou treinos a jovens entre os 3 e os 15 anos. E ficou acordado um jogo amigável entre uma equipa brasileira e uma equipa chinesa. Mais: a empresa de Pequim Inter Sports assinou um acordo de cooperação com a Confederação Sul-Americana de Futebol, assim como com a empresa publicitária Future Advertising, para a realização do jogo do “Superclássico das Américas”, no Estádio Nacional de Pequim (Ninho de Pássaro), no dia 11 de outubro. Esta partida vai ser disputada pelas seleções nacionais do Brasil e Argentina.

 

Potencial de Macau no setor terciário

 

O presidente da Confederação Federal de Serviços, Luigi Nese, concorda com a tese segundo a qual Macau pode fazer a ponte entre o Brasil e a China, sobretudo nos setores do comércio e dos serviços.

“Há muito tempo que o Brasil usa Macau para promover trocas comerciais com a China, a todos os níveis. Continuamos agora construir essa ligação, potenciando as oportunidades de cooperação económica entre ambos lados”, remata. Nese salienta a propósito que, no “12.º Plano Quinquenal”, o Governo chinês reforça a tese segundo a qual Macau deve ser uma plataforma de cooperação de serviços comerciais entre a China e os Países Lusófonos. Também por isso o Brasil parece determinado em reforçar a sua aposta nas relações através de Macau.

De acordo com dados do Banco Mundial, nos países desenvolvidos os setores de serviços e de comércio representam mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil ultrapassa mesmo a fasquia dos 70%, em boa parte por força do desenvolvimento de um forte setor financeiro. No caso da China, o crescimento do setor terciário tem sido também muito rápido, tendo no ano passado atingido 46% do PIB, pela primeira vez ultrapassando o setor secundário.

O diretor do Centro do Conselho de Estado para o Desenvolvimento, Lu Zhong Yuan, prevê que o comércio e os serviços continuem este ano a crescer. Pelo menos até aos 47% do PIB, estimando que em 2020 possa ser ultrapassada a fasquia dos 50%. “Este ano, na cerimónia de abertura da Feira, o vice-primeiro-ministro chinês, Wang Yang, reiterou a importância do crescimento do setor terciário”, recorda Luigi Nese. Do ponto de vista do Brasil, “essa evolução é extremamente importante”, conclui.

A exemplo do que acontece no Brasil, o setor dos serviços é o principal impulsionador da economia de Macau. No stand que Macau montou na Feira de Pequim, a indústria das convenções e das exposições era a mais promovida, com imagens e textos detalhados que davam a conhecer as infraestruturas e as empresas do ramo na Região. De acordo o Gabinete de Promoção do Comércio de Macau, no ano passado houve 1.030 exposições e conferências em Macau, número que triplica o registo em 2012.

A integração regional e as relações crescentes com a China continental abrem também espaço ao desenvolvimento do setor terciário em Macau. Até ao finais de março último, a Direção dos Serviços de Economia havia recebido um total de 126 pedidos para o “Certificado de Prestador de Serviços de Macau”, enviados por 67 empresas e 5 empresários em nome individual. Ao todo, foram até agora emitidos 438 desses certificados, 64,61% dos quais nos ramos de transportes e logística, seguido pelo setor de exposições e congressos – indústrias MICE – com 8,45%.

 

Vivian Yang

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