A sucessão de João Lourenço está a tornar-se o principal teste político do MPLA antes das eleições gerais de 2027. O Presidente angolano não poderá voltar a candidatar-se à Presidência da República depois de dois mandatos, mas apresentou a sua candidatura à liderança do partido no próximo congresso, marcado para dezembro. A escolha do sucessor e a capacidade de manter a unidade interna poderão ser determinantes para as hipóteses do MPLA continuar no poder.
O congresso que pode definir 2027
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para 9 e 10 de dezembro de 2026, em Luanda. O partido pretende renovar os seus órgãos de direção e preparar a estratégia para as eleições gerais do próximo ano. O próprio MPLA reconhece que o congresso será uma etapa central na preparação do ciclo eleitoral de 2027. A principal questão será saber quem o partido escolherá para disputar a Presidência da República.
João Lourenço apresentou formalmente a candidatura à liderança do MPLA em maio. A candidatura foi entregue à comissão responsável pelo processo de preparação do congresso.
A situação cria uma particularidade: Lourenço pretende continuar presidente do partido, mas a Constituição impede-o de disputar um terceiro mandato presidencial.
O próprio Presidente já reconheceu publicamente que terá de “passar o testemunho” e que o seu sucessor deverá estar preparado para vencer as eleições e governar Angola.
Uma disputa interna com consequências eleitorais
A liderança do MPLA não está, contudo, totalmente pacificada. Higino Carneiro apresentou uma candidatura à presidência do partido, mas esta foi anulada pela subcomissão responsável pelo processo. O antigo general contestou a decisão e levou o caso para a Justiça, aumentando a pressão sobre a preparação do congresso.
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O processo é acompanhado com atenção porque uma eventual divisão interna poderá ter consequências na escolha do candidato presidencial e na campanha de 2027.
Um investigador ouvido pela Lusa, Rui Verde, considerou que a sucessão de João Lourenço está envolta em “incerteza” e “especulação”, alertando para o impacto que o processo poderá ter no futuro político do país.
MPLA parte de uma posição mais frágil
O partido continua a ser a maior força política angolana, mas chega às próximas eleições depois de ter perdido terreno em 2022.
Nesse escrutínio, o MPLA obteve 51,17% dos votos e 124 deputados, enquanto a UNITA alcançou 43,95% e 90 deputados. A diferença de pouco mais de sete pontos percentuais tornou a oposição mais competitiva e aumentou a importância da escolha do próximo candidato do MPLA.
A sucessão pode decidir mais do que um nome
A questão não é apenas saber quem substituirá João Lourenço na Presidência. O próximo líder do MPLA terá de preservar a coesão de um partido que governa Angola desde a independência, enfrentar uma UNITA fortalecida e apresentar uma candidatura capaz de mobilizar eleitores num contexto eleitoral potencialmente mais competitivo.
Por isso, as eleições de 2027 podem começar a ser decididas dentro do próprio MPLA, no congresso de dezembro. Se o partido conseguir uma transição consensual, poderá chegar às urnas com maior estabilidade. Se as disputas internas se aprofundarem, a oposição poderá encontrar uma oportunidade inédita de chegar ao poder.