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Portugal está preparado para o vírus do Nilo Ocidental? A rede que vigia mosquitos, aves e casos humanos

O aumento da circulação de mosquitos e a expansão de doenças transmitidas por vetores na Europa têm colocado o vírus do Nilo Ocidental no radar das autoridades de saúde. Em Portugal, a resposta assenta numa rede de vigilância que acompanha a presença do mosquito transmissor, a circulação do vírus em animais e possíveis casos em humanos.

O vírus do Nilo Ocidental (VNO) não é uma doença nova em Portugal, mas continua a ser acompanhado pelas autoridades devido ao potencial de expansão, sobretudo durante os meses mais quentes, quando aumenta a atividade dos mosquitos. A vigilância nacional combina diferentes áreas — saúde humana, saúde animal e controlo de vetores — para detetar precocemente sinais de circulação do vírus.

A principal forma de transmissão ocorre através da picada de mosquitos do género Culex, que funcionam como vetores entre aves infetadas, os principais reservatórios do vírus, e outros animais ou seres humanos. A presença do vírus num mosquito não significa, por si só, que exista capacidade efetiva de transmissão, sendo necessário avaliar vários fatores epidemiológicos. “A vigilância é a principal ferramenta para antecipar riscos e atuar antes de uma eventual subida da transmissão.”

Como funciona a vigilância em Portugal

A monitorização é feita através da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE), coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), em articulação com as autoridades de saúde. Esta rede acompanha a presença e distribuição de mosquitos potencialmente transmissores de doenças e permite identificar alterações na circulação destes insetos.

O sistema assenta em três grandes áreas:

  1. Vigilância entomológica — os mosquitos. São colocadas armadilhas em diferentes regiões para recolher e identificar mosquitos. As análises permitem perceber quais as espécies presentes, onde existem maiores densidades e se há sinais de circulação de agentes infeciosos.
  2. Vigilância animal — aves e cavalos. As aves têm um papel fundamental no ciclo do vírus, funcionando como reservatórios naturais. Os cavalos são também acompanhados porque podem desenvolver doença após infeção. A informação recolhida ajuda a perceber se o vírus está ativo numa determinada zona.
  3. Vigilância humana — deteção de casos. Os serviços de saúde monitorizam casos suspeitos e o diagnóstico laboratorial é assegurado pelo INSA. Em situações de risco, são reforçadas medidas de controlo e comunicação.
A doença: maioria dos casos sem sintomas, mas há riscos

A infeção pelo vírus do Nilo Ocidental passa frequentemente despercebida. A maioria das pessoas infetadas não desenvolve sintomas. Quando surgem manifestações clínicas, podem incluir febre, dores musculares, cansaço ou mal-estar.

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Uma pequena parte dos casos pode evoluir para formas mais graves, nomeadamente com envolvimento neurológico, como meningite ou encefalite, sobretudo em pessoas mais idosas ou com sistemas imunitários fragilizados.

A transmissão entre pessoas não ocorre através do contacto habitual. As exceções estão associadas a situações específicas, como transfusões de sangue ou transplantes, motivo pelo qual existem mecanismos próprios de segurança nestas áreas.

Portugal tem experiência com vigilância de doenças transmitidas por mosquitos

As autoridades portuguesas têm vindo a reforçar a vigilância devido à expansão de diferentes espécies de mosquitos na Europa. O mosquito Aedes albopictus, conhecido por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, já foi identificado em várias zonas do país, levando ao reforço da vigilância entomológica.

Embora este mosquito não seja o principal transmissor do vírus do Nilo Ocidental, a sua presença demonstra a importância de manter sistemas preparados para alterações na distribuição dos vetores.

O que pode aumentar o risco?

O risco de circulação do vírus aumenta em períodos de temperaturas elevadas e maior atividade dos mosquitos. As alterações climáticas, a mobilidade internacional e a expansão geográfica de algumas espécies de mosquitos são fatores acompanhados pelas autoridades de saúde europeias.

Portugal, pela sua localização e pelas condições climáticas favoráveis em algumas regiões, mantém uma vigilância ativa para evitar que uma eventual circulação do vírus evolua para surtos de maior dimensão. “Detetar cedo a presença do vírus permite agir rapidamente no controlo dos mosquitos e na proteção da população.”

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