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UE quer evitar guerra comercial com a China. O que falta para Bruxelas e Pequim chegarem a acordo

A União Europeia reafirmou que pretende privilegiar a negociação para resolver os diferendos comerciais com a China antes de recorrer a medidas de retaliação. Apesar desse compromisso, as divergências sobre reciprocidade e concorrência continuam sem solução

A União Europeia pretende evitar uma guerra comercial com a China e privilegiar o diálogo para resolver as atuais disputas económicas, afirmaram hoje eurodeputados europeus, que defenderam relações futuras baseadas na reciprocidade e na transparência.

Citado pela agência EFE, o eurodeputado espanhol Nicolás Pascual de la Parte (Partido Popular Europeu) disse que a UE “quer esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas de retaliação”. “Não queremos uma guerra comercial, queremos evitá-la”, afirmou.

O também espanhol Javi López (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) advertiu que “qualquer medida unilateral no domínio comercial desencadeará uma medida equivalente da outra parte”.

“Sabemos onde isso conduz: a uma escalada comercial com um país com o qual mantemos relações muito intensas e que, sendo honestos, tem uma grande capacidade de resistência e sofre menos pressão da opinião pública na tomada de decisões”, acrescentou, citado pela agência de notícias espanhola.

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Apesar do que classificou como um “desequilíbrio insustentável” na balança comercial entre a UE e a China, Pascual de la Parte explicou que, nas reuniões com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, Pequim rejeitou as críticas.

“Eles consideram que o desequilíbrio não resulta de práticas protecionistas chinesas, mas da dinâmica dos mercados e, por isso, entendem que não têm qualquer responsabilidade”, afirmou.

Segundo López, as autoridades chinesas responderam que cumprem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e desafiaram Bruxelas a recorrer aos mecanismos da organização caso considere existirem violações.

O eurodeputado lamentou as “consequências de grande alcance” que o desequilíbrio comercial tem para as economias europeias e apelou às autoridades chinesas para serem “imaginativas” na procura de soluções.

Pascual de la Parte afirmou ainda que Wang Yi acusou Bruxelas de “politizar” as divergências comerciais. “Fazem uma seleção das regras que querem cumprir e das que não querem cumprir. É isso que tem de ser resolvido”, disse o eurodeputado, citando o ministro chinês.

Segundo Pascual de la Parte, Pequim mostra-se particularmente incomodada com a classificação da China como “rival sistémico” por parte da UE.

“Não se veem como rivais da União Europeia, mas como parceiros. No fundo, o objetivo final é afastar os Estados Unidos da Europa e aproximar a Europa da China”, afirmou.

Questionado sobre a multa de 500 milhões de euros aplicada pela UE à plataforma chinesa de comércio eletrónico AliExpress, Pascual de la Parte considerou que a decisão constitui “um sinal de que a Europa leva as questões comerciais a sério”.

“Vamos analisar tudo com atenção e aplicar o princípio da reciprocidade. A partir de agora, as relações comerciais, económicas e políticas assentarão na transparência e na reciprocidade”, afirmou.

O eurodeputado defendeu ainda que o desenvolvimento tecnológico chinês beneficiou da transferência de tecnologia ocidental.

“A China chegou onde está graças à transferência maciça de tecnologia ocidental, sobretudo de empresas norte-americanas e alemãs. Hoje produz, por exemplo, comboios de alta velocidade mais baratos e vende-os aos antigos fornecedores”, disse, apontando casos semelhantes nos setores do alumínio, painéis solares e veículos elétricos.

Outro dos temas abordados durante a visita foi a acusação, feita por líderes da França e da Alemanha, de que a China manipula a taxa de câmbio da sua moeda para reforçar a competitividade das exportações, uma crítica também repetidamente formulada pelos Estados Unidos. López estimou que essa “desvalorização artificial” ronde entre 20% e 30%.

Já Pascual de la Parte considerou que Pequim “está a perceber que esse modelo chegou aos seus limites”, tanto nas relações com os Estados Unidos como com a Europa.

Na sua opinião, após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, a segurança das cadeias de abastecimento passou a prevalecer sobre os ganhos económicos imediatos, mesmo que isso implique custos acrescidos para os consumidores.

“A Europa tem de encontrar o seu lugar num mundo em mudança, hostil e incómodo. Não tínhamos o vocabulário nem as estruturas adequadas, mas acredito que aprenderemos rapidamente a lição”, apontou.

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