Composta por dez países – Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietname – a ASEAN representa uma das principais plataformas multilaterais do Indo-Pacífico. A organização tem como objetivo promover a cooperação económica, política e de segurança entre os seus membros e parceiros externos, de acordo com a própria ASEAN.
A importância da região está ligada à sua posição geográfica e económica. O Sudeste Asiático encontra-se entre o Oceano Índico e o Pacífico e inclui algumas das principais rotas marítimas comerciais do mundo. O Mar do Sul da China, em particular, é uma zona de elevada circulação de mercadorias e energia, com vários países da ASEAN envolvidos em disputas territoriais com Pequim.
China e Estados Unidos mantêm uma presença diplomática e económica significativa na região. A China é o maior parceiro comercial da ASEAN, enquanto os Estados Unidos mantêm acordos de segurança e cooperação com vários países do bloco. A China foi o maior parceiro comercial da organização em 2023, representando uma parte significativa das trocas comerciais do bloco, enquanto os Estados Unidos permaneceram entre os principais parceiros económicos, segundo dados da ASEAN.
A ASEAN tem procurado evitar uma escolha exclusiva entre Pequim e Washington através de uma política de equilíbrio entre grandes potências. Os documentos da organização defendem uma abordagem baseada no diálogo, no multilateralismo e na cooperação regional, de acordo com a Visão da ASEAN para o Indo-Pacífico.
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Os fóruns organizados pela ASEAN funcionam como pontos regulares de encontro entre responsáveis chineses e norte-americanos. Entre eles estão a Cimeira da Ásia Oriental, o Fórum Regional da ASEAN e reuniões ministeriais que juntam os países da região com parceiros externos.
A Cimeira da Ásia Oriental inclui os dez membros da ASEAN e oito parceiros de diálogo, incluindo China, Estados Unidos, Japão, Índia, Austrália, Coreia do Sul, Nova Zelândia e Rússia. O mecanismo tem como objetivo promover diálogo estratégico sobre questões políticas, económicas e de segurança regional, segundo a ASEAN.
Nos últimos anos, as reuniões regionais foram marcadas por temas como cadeias de abastecimento, tecnologia, segurança marítima, alterações climáticas e estabilidade económica. A competição entre China e Estados Unidos também esteve presente nas discussões sobre infraestruturas, semicondutores e regras comerciais.
A economia continua a ser uma das principais áreas de interação. A ASEAN tornou-se um centro importante das cadeias globais de produção, com investimentos estrangeiros nos setores tecnológicos, industriais e energéticos. Os países do Sudeste Asiático têm mantido um papel relevante na atração de investimento direto estrangeiro, incluindo setores ligados à indústria tecnológica, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
Na área da segurança, a ASEAN mantém uma posição própria sobre as disputas no Mar do Sul da China. Alguns membros, incluindo Filipinas, Vietname, Malásia e Brunei, têm reivindicações territoriais na região, enquanto Pequim apresenta reivindicações mais abrangentes. Washington mantém operações e cooperação de segurança no Indo-Pacífico, incluindo com parceiros do Sudeste Asiático, ao abrigo do direito internacional marítimo, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos.
A China, por outro lado, tem reforçado os seus laços económicos e diplomáticos com a ASEAN. Pequim e o bloco mantêm uma parceria estratégica abrangente e continuam a negociar iniciativas relacionadas com comércio, conectividade e cooperação regional. A ASEAN é um dos principais parceiros económicos e diplomáticos de Pequim, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
O papel da ASEAN como plataforma de diálogo resulta da sua capacidade de reunir diferentes interesses num mesmo espaço diplomático. A organização não funciona como uma aliança militar e as decisões são tomadas com base no consenso entre os seus membros, segundo os princípios estabelecidos no Tratado de Amizade e Cooperação do Sudeste Asiático.