O Governo chinês rejeitou, esta segunda-feira (1), as acusações do ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, de uma alegada “rápida expansão” das capacidades militares da China e acusou Tóquio de tentar “desviar a atenção” do seu próprio reforço militar.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que as declarações de Koizumi “carecem de fundamento”.
Lin referiu-se ainda aos acordos internacionais e à Constituição japonesa que, após a Segunda Guerra Mundial, impuseram restrições ao rearmamento do país, argumentando que o atual Governo japonês procura ultrapassar esses limites.
O mais recente orçamento da defesa do Japão ultrapassou os nove biliões de ienes (mais de 51 mil milhões de euros), estabelecendo um novo máximo pelo 14.º ano consecutivo desde o final da Segunda Guerra Mundial, segundo o porta-voz. Lin acusou Tóquio de ignorar estes factos para “desviar a atenção e lançar acusações contra outros países”.
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O responsável chinês apontou ainda o reforço do destacamento de mísseis ofensivos e a flexibilização das restrições à exportação de armamento letal como exemplos de medidas adotadas pelo Japão que, na sua opinião, representam “um desafio à ordem internacional”.
No domingo, durante o Diálogo de Shangri-La, em Singapura, o ministro da Defesa japonês justificou a revisão da estratégia de segurança de Tóquio – que elimina pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial restrições à exportação de equipamento militar letal – com aquilo que descreveu como uma “rápida expansão” das capacidades militares chinesas.
As relações entre Pequim e Tóquio atravessam um período de crescente tensão, agravado por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no final de 2025, admitindo a possibilidade de intervenção japonesa em caso de conflito em Taiwan, por considerar que uma crise na ilha poderia constituir uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.
Recentemente, Japão e Filipinas anunciaram o início de negociações para delimitar as respetivas fronteiras marítimas, uma iniciativa que afeta áreas reivindicadas pela China no Indo-Pacífico.
Em resposta, a Guarda Costeira chinesa anunciou na segunda-feira a realização de uma “patrulha de aplicação da lei” em águas situadas a leste de Taiwan.