O Exército chinês anunciou hoje (28) a expulsão de um navio de guerra dos Países Baixos junto das ilhas Paracel, no mar do Sul da China, em mais um episódio de fricção militar no Indo-Pacífico.
O Comando do Teatro Sul do Exército chinês indicou hoje, num comunicado publicado na rede social WeChat, semelhante ao WhatsApp, que a fragata De Ruyter “entrou ilegalmente” nas águas das ilhas Xisha, nome chinês das Paracel, e que o helicóptero embarcado “descolou repetidamente e entrou no espaço aéreo chinês”.
As forças chinesas destacaram meios navais e aéreos e adotaram “medidas necessárias”, incluindo avisos verbais e “interferência eletrónica”, para expulsar o navio, segundo Pequim.
O porta-voz militar Zhai Shichen acusou ainda os Países Baixos de violarem a soberania chinesa e afirmou que as ações da fragata poderiam provocar “mal-entendidos e erros de cálculo”, uma formulação pouco habitual neste tipo de incidentes.
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A fragata De Ruyter participa desde abril numa missão de mais de cinco meses pelo Indo-Pacífico destinada a reforçar a cooperação com países da região e deverá participar em breve nos exercícios navais RIMPAC, organizados pelos Estados Unidos no Havai, de acordo com o Ministério da Defesa dos Países Baixos.
O navio realizou também exercícios de interoperabilidade com a marinha filipina durante uma recente escala em Manila, num contexto de crescente cooperação militar entre países ocidentais e parceiros asiáticos no mar do Sul da China. O incidente junta-se a outros episódios recentes de tensão entre a China e forças militares ocidentais na região.
Nos últimos anos, Pequim acusou Austrália, Canadá e Estados Unidos de incursões ou provocações junto das ilhas Paracel e de outras áreas disputadas no mar do Sul da China, enquanto esses países denunciaram manobras “inseguras” ou agressivas por parte das forças chinesas.
O comunicado surge um dia depois de o Quad – Diálogo de Segurança Quadrilateral, um fórum informal que reúne Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia destinado à troca de informações de inteligência, mas no âmbito do qual são realizados exercícios militares – ter manifestado preocupação com a situação nos mares do Sul e Leste da China, levando Pequim a acusar o grupo de “alimentar tensões”.
A China reclama quase a totalidade do mar do Sul da China, por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial e onde mantém disputas territoriais com vários países do sudeste asiático. Pequim mantém também uma disputa com o Japão pelas ilhas Senkaku/Diaoyu, no mar do Leste da China.