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Como a sucessão de visitas de líderes estrangeiros a Pequim reforça centralidade diplomática de Xi Jinping

Mais de 20 líderes estrangeiros visitaram a China nos primeiros meses do ano, numa sequência diplomática rara desde a pandemia. Pequim procura capitalizar a imagem de estabilidade internacional numa altura de maior fragmentação das alianças ocidentais

Lusa - China

Analistas consideram que a sucessão de visitas de líderes estrangeiros à China este ano está a reforçar a imagem de Xi Jinping como figura central da diplomacia global e a narrativa de Pequim como servindo de pilar do multilateralismo.

Nos primeiros cinco meses do ano, 21 chefes de Estado ou de Governo visitaram a China, incluindo os líderes da Alemanha, da Espanha, do Canadá e do Reino Unido, segundo cálculos do Financial Times com base em dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, realizaram este mês cimeiras consecutivas com Xi. Esta semana, deslocaram-se também a Pequim o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o Presidente sérvio, Aleksandar Vucic.

Analistas citados pelo jornal britânico consideram que a “parada” de líderes estrangeiros ajuda Pequim a apresentar-se como parceiro estável e defensor da ordem multilateral, numa altura em que os Estados Unidos enfrentam críticas pela imprevisibilidade da política externa de Trump.

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“Há um contexto chinês particular nisto, sobretudo na forma como é percecionado pelo público chinês, como um regresso ao estado natural das coisas, em que os outros vêm até si”, afirmou o historiador da China moderna e investigador sénior da Asia Society, John Delury. “O imperador nunca saía da China”, acrescentou.

Xi Jinping tem reduzido significativamente as deslocações ao estrangeiro. O líder chinês não saiu do país este ano e realizou apenas seis viagens internacionais em 2025.

Xi realizou 100 visitas ao estrangeiro nos primeiros sete anos após assumir a liderança do Partido Comunista Chinês, em 2012, mais do que as 90 viagens feitas pelos presidentes norte-americanos Barack Obama e Donald Trump no mesmo período, segundo dados compilados pela Asia Society.

Desde o levantamento das restrições da pandemia da covid-19, em 2022, Xi realizou apenas 26 deslocações internacionais, contra 56 dos Presidentes norte-americanos Joe Biden e Donald Trump.

Neil Thomas, especialista em política chinesa no Australian Strategic Policy Institute (ASPI), considerou que as viagens recentes de Xi se concentraram sobretudo em países vizinhos e parceiros estratégicos da Ásia Central e do sudeste asiático, regiões frequentemente “negligenciadas” pelos Estados Unidos.

Para o diretor do centro Carnegie China – sediado em Singapura -, Damien Ma, receber líderes em encontros bilaterais permite a Pequim exercer maior influência sobre parceiros menos poderosos e privilegiar relações diretas em detrimento de fóruns multilaterais.

“Para a China, a estrada para a Europa passa por Berlim e Paris, não por Bruxelas”, afirmou. Segundo os analistas, as visitas produziram resultados variados para os líderes estrangeiros.

Durante a visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Pequim reduziu para metade as tarifas de 10% sobre o whisky britânico e autorizou viagens sem visto para cidadãos do Reino Unido, enquanto a farmacêutica AstraZeneca anunciou um investimento de 15 mil milhões de dólares (quase 13 mil milhões de euros) na China.

No caso do Canadá, Xi concordou em levantar tarifas sobre sementes de colza, uma importante exportação agrícola canadiana, durante a visita do primeiro-ministro Mark Carney.

O antigo diplomata canadiano detido na China durante quase três anos, Michael Kovrig, afirmou ao FT que as visitas de líderes ocidentais “ansiosos” por se aproximarem de Pequim reforçam a narrativa promovida por Xi sobre “a ascensão da China e o declínio dos Estados Unidos”.

O analista defendeu que os países ocidentais deveriam coordenar melhor as políticas em relação à China, em vez de procurarem acordos bilaterais isolados.

Apesar da intensa agenda diplomática, alguns observadores consideram que Xi estará cada vez mais focado na política interna à medida que se aproxima o 21.º Congresso do Partido Comunista Chinês, previsto para 2027, no qual deverá assegurar um quarto mandato de cinco anos no poder.

“Já estamos basicamente em período de campanha na China”, afirmou Damien Ma. “Para Xi Jinping, é melhor estar em casa do que passar o tempo num avião”.

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