Em comunicado, o Governo português esclarece que a ativista integra um grupo de 71 viajantes da caravana humanitária Global Sumud Land Convoy, que foi retido pelas autoridades líbias. A mulher terá sido intercetada num posto de controlo e encaminhada para Bengazi, cerca de mil quilómetros a leste de Tripoli, sob alegação de ter cometido uma infração.
De acordo com o MNE, a cidadã portuguesa não foi autorizada a prosseguir viagem por razões de segurança, uma vez que aquele ponto fronteiriço permite apenas a passagem de cidadãos egípcios e líbios. Encontra-se atualmente sob custódia da polícia local, juntamente com ativistas de várias nacionalidades, devendo ser presente a tribunal numa data ainda não definida, com vista à sua expulsão do território líbio.
O ministério, liderado por Paulo Rangel, assegura que está a acompanhar o caso de perto, prestando proteção consular através da Embaixada de Portugal em Tunes, em articulação com autoridades europeias e com as embaixadas portuguesas em Roma, Ancara e Cairo.
Leia mais: Brasil condena tratamento “humilhante” de ativistas detidos por Israel (com vídeo)
No mesmo comunicado, o MNE volta a desaconselhar firmemente qualquer deslocação à Líbia, lembrando que o país permanece instável e que as viagens à região comportam riscos elevados para a segurança pessoal.
Segundo associações ligadas ao movimento Global Sumud Land, a ativista portuguesa faz parte de um grupo avançado da caravana que pretende levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza por via terrestre. O grupo terá ficado incontactável desde domingo, após ser retido pelas autoridades do leste da Líbia, zona controlada pelas forças do marechal Khalifa Haftar, que se opõem ao governo reconhecido pela ONU em Tripoli.
A iniciativa decorre em paralelo com a flotilha marítima Global Sumud, cujos participantes foram recentemente detidos pelo exército de Israel em águas internacionais, quando se dirigiam igualmente para Gaza.