Num relatório divulgado esta segunda-feira, a FAO recorda que no início do ano inundações severas atingiram Moçambique, “perturbando gravemente os sistemas agroalimentares do país e danificando culturas, gado, pescas e infraestruturas agrícolas críticas em algumas das áreas mais produtivas”.
A crise, que afetou mais de 724 mil pessoas e danificou cerca de 440 mil hectares, deixou consequências económicas substanciais, com danos e prejuízos totais estimados em 30,4 mil milhões de meticais (490 milhões de euros), sendo o setor agrícola responsável por quase 73% das perdas totais, de acordo com a agência da ONU sediada em Roma.
“As províncias de Gaza e Maputo sofreram a maior concentração de danos, onde muitas famílias rurais perderam não só a sua produção agrícola atual, mas também os ativos produtivos que sustentam os seus meios de subsistência e a sua segurança alimentar ao longo do tempo”, refere o documento.
Face à crise climática, o relatório indica que a resposta da FAO em Moçambique é orientada por um conjunto de planos complementares, que articulam intervenções de curto prazo com estratégias de recuperação e resiliência a longo prazo.
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“O Plano de Emergência e Resiliência Moçambique, 2026-2028, fornece a estrutura abrangente para o programa de emergência e resiliência da FAO e solicita 79 milhões de dólares [67,8 milhões de euros] ao longo de três anos, incluindo 38 milhões de dólares [32,6 milhões de euros] para auxiliar 1,3 milhões de pessoas em 2026”, explica a agência.
Em resposta às cheias registadas nos últimos meses, a FAO refere ter lançado o apelo “Moçambique: Inundações – Apelo Urgente à Assistência”, uma adenda ao Plano de Emergência e Resiliência, destinado a responder às necessidades imediatas no período pós-desastre. A organização procura mobilizar 27,9 milhões de dólares (23,9 milhões de euros) para apoiar cerca de 620 mil pessoas até junho de 2026.
Os 107,66 milhões de dólares para a assistência a 1,8 milhões de pessoas entre junho de 2026 e dezembro de 2031 deverão acorrer a necessidades em áreas de Gaza e nas províncias de Maputo, Sofala, Inhambane, Manica, Tete e Nampula, consideradas prioritárias.
Paralelamente, a FAO explica que desenvolveu o Plano de Recuperação das Cheias de cinco anos no âmbito da Avaliação das Necessidades Pós-Catástrofe, um mecanismo multissetorial liderado pelo Governo para apoiar os objetivos de recuperação e resiliência a longo prazo de Moçambique.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.
O número de mortos na atual época das chuvas subiu para 289, e o de pessoas afetadas ultrapassou um milhão, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Foram contabilizados mais quatro mortos em 24 horas, e o número de pessoas afetadas subiu para 1.004.346 pessoas (mais 50.000 face ao balanço anterior) na presente época das chuvas, correspondente a 229.051 famílias, de acordo com o INGD. O relatório contabiliza ainda 15 pessoas desaparecidas e 349 feridos.