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FAO lança plano de resiliência para apoiar milhões de moçambicanos

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) precisa de 107,660 milhões de dólares (92,463 milhões de euros) para apoiar cerca de 1,8 milhões de moçambicanos afetados por eventos climáticos até 2031

Lusa

Num relatório divulgado esta segunda-feira, a FAO recorda que no início do ano inundações severas atingiram Moçambique, “perturbando gravemente os sistemas agroalimentares do país e danificando culturas, gado, pescas e infraestruturas agrícolas críticas em algumas das áreas mais produtivas”.

A crise, que afetou mais de 724 mil pessoas e danificou cerca de 440 mil hectares, deixou consequências económicas substanciais, com danos e prejuízos totais estimados em 30,4 mil milhões de meticais (490 milhões de euros), sendo o setor agrícola responsável por quase 73% das perdas totais, de acordo com a agência da ONU sediada em Roma.

“As províncias de Gaza e Maputo sofreram a maior concentração de danos, onde muitas famílias rurais perderam não só a sua produção agrícola atual, mas também os ativos produtivos que sustentam os seus meios de subsistência e a sua segurança alimentar ao longo do tempo”, refere o documento.

Face à crise climática, o relatório indica que a resposta da FAO em Moçambique é orientada por um conjunto de planos complementares, que articulam intervenções de curto prazo com estratégias de recuperação e resiliência a longo prazo.

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“O Plano de Emergência e Resiliência Moçambique, 2026-2028, fornece a estrutura abrangente para o programa de emergência e resiliência da FAO e solicita 79 milhões de dólares [67,8 milhões de euros] ao longo de três anos, incluindo 38 milhões de dólares [32,6 milhões de euros] para auxiliar 1,3 milhões de pessoas em 2026”, explica a agência.

Em resposta às cheias registadas nos últimos meses, a FAO refere ter lançado o apelo “Moçambique: Inundações – Apelo Urgente à Assistência”, uma adenda ao Plano de Emergência e Resiliência, destinado a responder às necessidades imediatas no período pós-desastre. A organização procura mobilizar 27,9 milhões de dólares (23,9 milhões de euros) para apoiar cerca de 620 mil pessoas até junho de 2026.

Os 107,66 milhões de dólares para a assistência a 1,8 milhões de pessoas entre junho de 2026 e dezembro de 2031 deverão acorrer a necessidades em áreas de Gaza e nas províncias de Maputo, Sofala, Inhambane, Manica, Tete e Nampula, consideradas prioritárias.

Paralelamente, a FAO explica que desenvolveu o Plano de Recuperação das Cheias de cinco anos no âmbito da Avaliação das Necessidades Pós-Catástrofe, um mecanismo multissetorial liderado pelo Governo para apoiar os objetivos de recuperação e resiliência a longo prazo de Moçambique.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.

O número de mortos na atual época das chuvas subiu para 289, e o de pessoas afetadas ultrapassou um milhão, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Foram contabilizados mais quatro mortos em 24 horas, e o número de pessoas afetadas subiu para 1.004.346 pessoas (mais 50.000 face ao balanço anterior) na presente época das chuvas, correspondente a 229.051 famílias, de acordo com o INGD. O relatório contabiliza ainda 15 pessoas desaparecidas e 349 feridos.

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