As autoridades chinesas atualizaram em baixa, de 90 para 82, o número de mortos na explosão de gás ocorrida na sexta-feira (22) na mina de Liushenyu, na província de Shanxi, no norte da China. O acidente provocou ainda 128 feridos e deixou duas pessoas desaparecidas, segundo o mais recente balanço divulgado pelas autoridades locais.
O acidente ocorreu ao final da tarde de sexta-feira, na mina situada no distrito de Qinyuan, na cidade de Changzhi, quando 247 trabalhadores se encontravam no subsolo. Inicialmente, os sistemas de registo indicavam que apenas 124 pessoas estavam na mina, mas as autoridades esclareceram posteriormente que o número real era bastante superior.
Responsáveis do Gabinete de Gestão de Emergências da província indicaram que duas pessoas permanecem em estado crítico e outras duas em estado grave. As circunstâncias concretas da explosão ainda não foram detalhadas.
As operações de resgate prosseguem com o apoio de 335 socorristas e 420 profissionais de saúde. Estão também a ser utilizados robôs de inspeção subterrânea equipados com sensores de gás e câmaras para aceder a zonas onde as equipas humanas não conseguem chegar devido aos desabamentos e às inundações no interior da mina.
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Cinco membros das equipas de salvamento já conseguiram alcançar áreas profundas dos túneis, embora as condições no local continuem a dificultar os trabalhos de busca, segundo a televisão estatal CCTV.
Um responsável do grupo Shanxi Tongzhou, empresa proprietária da mina, encontra-se desde sábado sob custódia das autoridades, numa medida que aponta para o início da averiguação de eventuais responsabilidades pelo acidente.
O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu o reforço das operações de busca e assistência aos feridos, bem como uma investigação rigorosa às causas da explosão e o apuramento de responsabilidades. O vice-primeiro-ministro, Zhang Guoqing, deslocou-se ao local para acompanhar os trabalhos de resgate e a gestão pós-acidente.
O Governo português apresentou “sentidas condolências” às famílias das vítimas e manifestou “profunda solidariedade” às autoridades e ao povo chinês. Numa mensagem divulgada na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tutelado por Paulo Rangel, sublinhou estar solidário “neste momento de dor”.
A província de Shanxi é uma das principais regiões carboníferas da China, com uma produção anual de cerca de 1,27 mil milhões de toneladas de carvão bruto, desempenhando um papel central no abastecimento energético do país.
Apesar da redução significativa do número de acidentes mortais nos últimos anos, as minas de carvão continuam a registar elevados níveis de risco. De acordo com dados oficiais, o setor mineiro chinês contabilizou mais de 3.000 mortes entre 2018 e 2023, embora esse número represente uma diminuição de 53.6% face ao quinquénio anterior.