O ‘stock’ de março contrasta ainda com os 284.995 milhões de meticais (3.790 milhões de euros) no mesmo mês de 2025 e ultrapassa o pico de 292.807 milhões de meticais (3.893 milhões de euros), registado em maio do ano passado, de acordo com dados compilados hoje pela Lusa a partir do mais recente relatório estatístico do banco central.
Trata-se ainda de um crescimento face aos 291.243 milhões de meticais (3.873 milhões de euros) em fevereiro, que então inverteu três meses consecutivos de quebras, segundo o histórico do banco central.
Os dados de março indicam que o crédito a particulares, que caiu neste período, continuava a liderar, com 90.528 milhões de meticais (1.204 milhões de euros).
Seguiam-se o setor dos transportes e comunicações, cujo total de crédito concedido pela banca cresceu ligeiramente, para 25.961 milhões de meticais (345 milhões de euros), o comércio, com 22.561 milhões de meticais (300 milhões de euros), e a indústria transformadora, com 22.121 milhões de meticais (291 milhões de euros).
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A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em maio, nos 15,5%, após três cortes este ano, anunciou anteriormente a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%. Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,7% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora então decidida pelo banco central. Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.
Já o Banco de Moçambique manteve em março a taxa de juro de política monetária MIMO em 9,25%, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024, face ao “agravamento substancial” de riscos, revendo em alta as perspetivas de inflação.
“Esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspetivas da inflação”, anunciou em 23 de março o governador do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), que se realiza a cada dois meses, conforme avançou o governador do Banco de Moçambique, sublinhando as consequências para Moçambique do conflito do Médio Oriente, bem como das cheias no país, na atual época das chuvas.
“Neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em janeiro de 2024, mais de 24 meses, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”, alertou Zandamela.