O Irão afirmou esta quarta-feira que está a analisar uma nova proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra no Médio Oriente, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu as negociações como estarem “no limite” entre um acordo e novos ataques.
Trump, que anteriormente tinha dito que as negociações estavam na sua “fase final”, avisou mais tarde que a janela para a diplomacia poderá fechar-se rapidamente. “Está mesmo no limite, acreditem”, disse Trump aos jornalistas na Base Andrews, perto de Washington. “Se não obtivermos as respostas certas, tudo avança muito rapidamente. Estamos todos prontos para agir.”
O Presidente norte-americano afirmou que um acordo poderá surgir “muito rapidamente” ou “dentro de poucos dias”, mas advertiu que Teerão terá de dar “respostas 100 por cento satisfatórias”.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerão “recebeu os pontos de vista da parte americana” e está a analisá-los. Reiterou igualmente as exigências do Irão para o desbloqueio de activos congelados e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
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Antes disso, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de procurar reiniciar a guerra, depois de Trump ter ameaçado lançar novos ataques caso o Irão não aceite um acordo. Ghalibaf advertiu para uma “resposta contundente”, enquanto os Guardas da Revolução iranianos afirmaram que qualquer novo conflito se estenderá muito para além do Médio Oriente.
“Os movimentos do inimigo, tanto públicos como clandestinos, mostram que, apesar da pressão económica e política, não abandonou os seus objetivos militares e procura iniciar uma nova guerra”, declarou Ghalibaf.
O cessar-fogo de 8 de abril interrompeu os confrontos diretos entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, mas a troca de palavras hostis substituiu os combates no terreno. Trump tem ameaçado repetidamente com uma retoma da ação militar, enquanto responsáveis iranianos responderam com avisos cada vez mais duros.
Os Guardas da Revolução advertiram esta quarta-feira que, caso “a agressão contra o Irão se repita”, uma futura guerra irá alastrar para além da região e “os nossos golpes devastadores esmagar-vos-ão”. Apesar das ameaças e da violência esporádica, continuaram os contactos mediados pelo Paquistão numa tentativa de garantir um fim formal da guerra.

Nesta fotografia obtida pela agência de notícias iraniana ISNA a 4 de maio de 2026, vêem-se dois homens sentados num bote a pescar perto de um navio ancorado no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, no sul do Irão. (Foto: Amirhossein Khorgooei / ISNA / AFP)
A agência oficial iraniana IRNA, citando fontes diplomáticas, informou que o ministro do Interior do Paquistão chegou a Teerão para a sua segunda visita em menos de uma semana.
As esperanças cautelosas repercutiram-se rapidamente nos mercados financeiros. Os preços do petróleo caíram mais de cinco por cento esta quarta-feira, enquanto as bolsas norte-americanas subiram após Trump sugerir que um acordo poderá estar próximo, embora analistas tenham alertado que os investidores continuam cautelosos após semanas de falsas partidas.
O principal contrato petrolífero norte-americano, o WTI, caiu abaixo dos 100 dólares (86 euros) por barril, mas manteve-se muito acima dos níveis anteriores à guerra, com o Estreito de Ormuz ainda praticamente fechado à maioria da navegação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, elogiou Trump por decidir “dar uma oportunidade à diplomacia” e instou o Irão a aproveitar “a oportunidade para evitar as perigosas implicações da escalada”. O chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, afirmou que os militares permanecem no mais elevado nível de alerta e estão “preparados para qualquer evolução”.
Trump enfrenta pressão política interna devido ao aumento dos custos da energia. O cessar-fogo interrompeu os combates, mas não reabriu o Estreito de Ormuz, a via marítima vital por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundiais.
A marinha dos Guardas da Revolução iranianos afirmou ter permitido a passagem de 26 embarcações, incluindo petroleiros, por Ormuz nas últimas 24 horas, após garantir “coordenação e segurança”.
Os Estados Unidos impuseram um contra-bloqueio aos portos iranianos. O Comando Central norte-americano (CENTCOM) indicou que fuzileiros navais abordaram esta quarta-feira um petroleiro com bandeira iraniana no Golfo de Omã, suspeito de tentar violar as restrições.
O CENTCOM afirmou que o navio foi libertado após ser inspecionado e receber ordens para alterar a rota. Acrescentou ainda que as forças norte-americanas desviaram 91 navios comerciais desde o início do bloqueio.
O futuro de Ormuz continua a ser um dos principais pontos de discórdia nas negociações, aumentando os receios de que a economia mundial venha a sofrer mais à medida que as reservas de petróleo anteriores à guerra se esgotem. Por Ormuz passa também cerca de um terço das exportações mundiais de fertilizantes, aumentando os receios de subida dos preços alimentares e de escassez caso o encerramento se prolongue.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura alertou esta quarta-feira que o encerramento poderá desencadear “uma grave crise global dos preços alimentares” e um “choque sistémico agroalimentar”.