A visita de Estado de dois dias de Putin marcou a sua 25.ª deslocação oficial à China. Xi e Putin mantiveram conversas, conversaram informalmente durante um chá, visitaram uma exposição fotográfica e assistiram à assinatura de vários documentos de cooperação em Pequim.
Num cenário internacional descrito como fluido e turbulento, os dois países desenvolveram uma parceria estratégica abrangente de coordenação para uma nova era baseada na igualdade, no respeito mútuo, na boa-fé e na cooperação mutuamente vantajosa, afirmou Xi durante as conversações.
A confiança política mútua aprofundou-se ainda mais, enquanto a cooperação nas áreas do comércio, investimento, energia, ciência e tecnologia, bem como os intercâmbios culturais e regionais, continuou a avançar de forma consistente, reforçando os laços entre os dois povos, segundo o líder chinês. “A relação China-Rússia entrou numa nova fase de maiores conquistas e desenvolvimento mais rápido”, afirmou Xi.
Este ano assinala o 30.º aniversário da criação da parceria estratégica de coordenação sino-russa e o 25.º aniversário da assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável entre os dois países.
O tratado estabeleceu juridicamente a base institucional para uma relação duradoura de amizade, boa vizinhança e coordenação estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo, segundo Xi. Desde a sua assinatura, acrescentou, as relações bilaterais registaram um desenvolvimento acelerado. Ao concordarem prolongar o tratado, Putin afirmou que o acordo se tornou ainda mais relevante nas circunstâncias atuais.
Leia também: China e Rússia elevam cooperação estratégica em nova cimeira em Pequim
O Presidente russo declarou que as relações entre a Rússia e a China atingiram um “nível sem precedentes” graças aos esforços conjuntos das duas partes, caracterizados por contactos estreitos ao mais alto nível e forte confiança política mútua.
As relações sino-russas resistiram ao teste do tempo e fortaleceram-se, tornando-se um exemplo de coordenação estratégica abrangente, segundo Putin.
Reafirmando os laços duradouros entre os dois países, Xi afirmou que a promoção contínua do desenvolvimento saudável, estável e de alta qualidade das relações China-Rússia constitui uma escolha estratégica baseada nos interesses fundamentais das duas nações e nas tendências globais.
O líder chinês defendeu que os dois países devem reforçar a cooperação prática nas áreas do comércio, investimento, energia, transportes e inovação científica e tecnológica, além de expandirem a colaboração em sectores de ponta e criarem novos motores de crescimento.
O comércio bilateral ultrapassou os 200 mil milhões de dólares (172 mil milhões de euros) pelo terceiro ano consecutivo em 2025, segundo o Ministério do Comércio chinês. A China mantém-se como o principal parceiro comercial da Rússia há 16 anos consecutivos.
Xi apelou ainda ao reforço da amizade tradicional entre os dois povos, defendendo o aumento dos intercâmbios nas áreas da educação, cultura, cinema, turismo e desporto, bem como o fortalecimento do apoio popular à amizade bilateral.
Este ano marca também o início dos Anos da Educação China-Rússia, o décimo programa temático nacional conjunto entre os dois países. Os dois Presidentes participaram na cerimónia de abertura realizada na quarta-feira. Xi e Putin assinaram igualmente uma declaração conjunta para reforçar a coordenação estratégica abrangente e aprofundar a cooperação amigável e de boa vizinhança.
No mesmo dia, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, anunciou que a China decidiu prolongar a política de isenção de vistos para cidadãos russos até 31 de dezembro de 2027, com o objetivo de facilitar os intercâmbios entre os dois países.
Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e grandes potências mundiais, China e Rússia devem adoptar uma perspetiva estratégica e de longo prazo para tornar o sistema de governação global mais justo e equilibrado, disse Xi a Putin.
Xi apelou ao aprofundamento da coordenação multilateral, ao reforço da cooperação em plataformas internacionais, à defesa firme da ordem internacional do pós-guerra e da autoridade do direito internacional, bem como à união do Sul Global e à promoção de reformas no sistema de governação mundial. Os dois líderes trocaram ainda opiniões sobre várias questões internacionais e regionais.
Relativamente à situação no Golfo e no Médio Oriente, Xi afirmou que todas as hostilidades devem cessar imediatamente, acrescentando que o fim rápido do conflito ajudaria a reduzir perturbações no abastecimento energético, nas cadeias industriais e logísticas e no comércio internacional.
Num cenário internacional volátil, a cooperação entre Rússia e China funciona como um importante factor de estabilidade, afirmou Putin.
O Presidente russo acrescentou que Moscovo está preparada para continuar a reforçar a coordenação multilateral com Pequim, apoiar a China na organização da reunião dos líderes económicos da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), aumentar conjuntamente o estatuto e influência da Organização para Cooperação de Xangai e fortalecer a unidade e coordenação no âmbito dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul [South Africa]).
Putin comprometeu-se ainda a trabalhar com a China para defender a autoridade da ONU, promover a diversidade das civilizações e impulsionar uma ordem internacional mais justa e equitativa. Durante a visita de Putin, China e Rússia divulgaram também uma declaração conjunta em defesa de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais.
Perante a atual turbulência global e o aumento da confrontação entre blocos, os dois países representam uma força crucial de estabilidade, afirmou Li Ziguo, diretor do Departamento de Estudos Europeus e Centro-Asiáticos do Instituto Chinês de Estudos Internacionais. A estabilidade e previsibilidade das relações bilaterais constituem um contributo importante para a paz e o desenvolvimento globais, segundo Li.

