O fenómeno, popularmente apelidado de “hálito Ozempic”, está associado ao uso de fármacos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, utilizados no tratamento da diabetes tipo 2 e, cada vez mais, na gestão da obesidade.
Embora não seja reconhecido oficialmente como efeito secundário destes medicamentos, o termo ganhou tração nas redes sociais e entre utilizadores, que relatam alterações no hálito e sensação de boca seca durante o tratamento.
O impacto já se reflete nos resultados de empresas do setor alimentar. A norte-americana The Hershey Company confirmou um aumento na procura de pastilhas e rebuçados, com destaque para a marca Ice Breakers, que registou um crescimento de cerca de 8% nas vendas recentes.
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Especialistas em saúde oral explicam que não há evidência científica que relacione diretamente os medicamentos GLP-1 com halitose. No entanto, admitem que a boca seca, potencialmente associada a alterações na hidratação e na produção de saliva, pode contribuir para desconforto oral.
Como recomendação, profissionais de saúde sublinham a importância de manter uma boa hidratação, reforçar a higiene oral — incluindo a limpeza da língua — e recorrer a pastilhas sem açúcar como forma de estimular a produção de saliva.
O fenómeno ilustra como a crescente popularidade dos medicamentos para emagrecimento está a gerar efeitos colaterais indiretos na indústria alimentar e nos hábitos de consumo.