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Estudo associa Wegovy a risco cinco vezes maior de perda súbita de visão face ao Ozempic

Uma investigação canadiana indica que os chamados “acidentes oculares” associados ao uso de semaglutida são mais frequentes em utilizadores de Wegovy do que em doentes tratados com Ozempic. De acordo com o estudo, os pacientes que recorrem ao Wegovy apresentam um risco quase cinco vezes superior de perda súbita de visão.

A investigação, citada pelo jornal The Guardian e publicada no British Journal of Ophthalmology, sugere que estes efeitos adversos, clinicamente designados por neuropatia óptica isquémica anterior não-arterítica (Naion), poderão estar ligados ao ingrediente ativo semaglutida.

A semaglutida integra a classe dos agonistas do recetor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1 RA) e é utilizada em medicamentos como Wegovy, Ozempic e Rybelsus, prescritos para controlo da glicemia, redução do apetite e perda de peso. Estes fármacos têm sido associados a benefícios metabólicos e cardiovasculares, mas o estudo alerta para potenciais riscos oculares.

Segundo os autores, os utilizadores de Wegovy para tratamento da obesidade apresentam uma probabilidade cinco vezes maior de desenvolver Naion quando comparados com doentes que usam Ozempic para diabetes. A análise indica ainda que os homens têm um risco cerca de três vezes superior ao das mulheres.

A Naion provoca uma perda súbita e geralmente permanente da visão, causada pela redução do fluxo sanguíneo para o nervo ótico. Embora se trate de um evento raro, estimado em cerca de um caso por cada 10 mil utilizadores de semaglutida, os investigadores alertam para uma possível relação dependente da dose, o que levanta preocupações de segurança.

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O estudo analisou notificações de efeitos adversos submetidas à Food and Drug Administration (FDA) entre dezembro de 2017 e dezembro de 2024. Foram comparados relatos associados a injeções semanais de até 2 mg de Ozempic, até 2,4 mg de Wegovy (dose máxima aprovada) e comprimidos diários de Rybelsus. Foram igualmente avaliados dados relativos à tirzepatida, comercializada como Mounjaro.

Os resultados apontam para uma associação mais forte entre Wegovy e perda súbita de visão, não tendo sido detetado um aumento significativo de risco com Rybelsus ou com Mounjaro. Os investigadores sugerem que a dose mais elevada e a rapidez de absorção das injeções de Wegovy poderão explicar esta diferença, enquanto a absorção mais lenta do Rybelsus poderá justificar a ausência de risco detetável.

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Em reação, um porta-voz da Novo Nordisk afirmou que “a segurança do paciente é a nossa prioridade” e que a empresa trabalha em estreita colaboração com as autoridades reguladoras para monitorizar o perfil de segurança dos seus medicamentos. As bulas europeias de Wegovy, Ozempic e Rybelsus já incluem referência à Naion, embora a farmacêutica sustente que, com base no conjunto da evidência disponível, não existe prova de uma relação causal direta, mantendo-se favorável o balanço benefício-risco da semaglutida.

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