Uma delegação da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), composta por mais de 60 representantes de 35 cidades e organizações internacionais, visitou a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, a 14 de abril, para analisar projetos de cidades inteligentes e reforçar a cooperação económico-comercial entre a China e os países lusófonos.
A visita centrou-se nos avanços de Hengqin em áreas como mobilidade inteligente, integração entre indústria e educação e inovação tecnológica, sendo apresentada como uma referência para o desenvolvimento urbano sustentável nos países de língua portuguesa.
Durante o programa, a delegação visitou o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola, a base de formação de talentos digitais, empresas tecnológicas e infraestruturas como o túnel de utilidades, além de experimentar soluções de transporte autónomo.
Os participantes destacaram o valor das soluções tecnológicas implementadas em Hengqin, considerando que podem servir de modelo para cidades lusófonas em áreas como governação urbana, economia digital e mobilidade inteligente.
Leia também: Macau lidera UCCLA e reforça ponte com cidades lusófonas
O presidente da Câmara Municipal do Fundão, Luís Miguel Gavinhos, afirmou que a cooperação entre cidades lusófonas está a evoluir para uma dimensão económica, destacando o potencial de ligação entre mercados e o interesse em parcerias tecnológicas com empresas chinesas.
Representantes de Angola sublinharam a utilidade prática da visita, apontando o Centro de Serviços como uma referência para futuras colaborações, nomeadamente em áreas como redes digitais e infraestruturas tecnológicas.
No âmbito da iniciativa, foi também realizado um seminário económico e comercial, reunindo cerca de 80 participantes, onde foram debatidas oportunidades de investimento e cooperação entre empresas chinesas e dos países de língua portuguesa.
A diretora dos Assuntos Administrativos da Zona de Cooperação, Carmen Maria Chung, destacou o papel de Macau como plataforma de ligação, sublinhando o regime fiscal competitivo e a disponibilidade de talentos especializados nas áreas jurídica e linguística.
Leia também: Macau quer atrair mais quadros qualificados dos países lusófonos
A responsável salientou ainda as vantagens específicas de Hengqin, incluindo políticas fiscais preferenciais e mecanismos de facilitação de investimento, que posicionam a zona como porta de entrada para empresas lusófonas no mercado chinês.
Empresas chinesas apresentaram soluções em mobilidade inteligente, interação digital e financiamento, tendo os representantes lusófonos manifestado interesse em aprofundar a cooperação nestes setores.
A iniciativa incluiu também a assinatura de uma proposta de cooperação em arbitragem transfronteiriça entre instituições da China e dos países de língua portuguesa, reforçando os mecanismos de apoio ao investimento.
A visita evidenciou o papel crescente de Hengqin como plataforma estratégica para a cooperação internacional, consolidando a sua posição como ponto de ligação entre a China e o espaço lusófono.